O governo francês advertiu a CNews de que o canal poderá enfrentar ações penais caso volte a dar espaço à comentarista Xenia Fedorova, alvo de uma ordem de expulsão da França. A ameaça foi feita pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, em uma carta enviada ao presidente da Autoridade Reguladora da Comunicação Audiovisual e Digital (Arcom).
Fedorova, de 45 anos, dirigiu a filial francesa da RT, emissora estatal russa proibida na França após a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin, em 2022. A RT France encerrou as atividades em 2023, mas a comentarista continuou participando do debate público no país.
Desde então, ela passou a atuar em veículos ligados ao bilionário conservador Vincent Bolloré, entre eles a CNews, a rádio Europe 1 e o jornal dominical Le Journal du Dimanche. Nessas plataformas, Fedorova reproduz a retórica do Kremlin sobre a Ucrânia e os países ocidentais.
Ordem de expulsão
A comentarista estava fora da França quando o governo determinou sua expulsão, no fim de julho. A justificativa foi que seu comportamento “atenta contra os interesses fundamentais do Estado”. Dias depois, as autoridades congelaram seus bens por seis meses.
No início de setembro, a CNews anunciou que Fedorova voltaria à programação por videoconferência. Em entrevista ao veículo Omerta, ela afirmou: “Espero poder participar a distância”.
Na carta enviada nesta quarta-feira, Nuñez afirmou que Fedorova foi expulsa por atos de ingerência pró-Rússia, associados à manipulação da informação e do debate público. Para o ministro, uma eventual volta à programação “contraria diretamente” a ordem de expulsão e poderia levar à abertura de ações penais.
A França realizará em abril e maio de 2027 uma eleição presidencial considerada crucial para a União Europeia. Marine Le Pen aparece à frente nas pesquisas, enquanto as autoridades veem risco elevado de ingerência estrangeira, especialmente da Rússia.


