SÃO PAULO — O médico Farah Jorge Farah matou e esquartejou Maria do Carmo Alves, dona de casa e paciente dele, dentro da própria clínica, em 2003. O delegado Ítalo Miranda, que comandou a investigação, relatou os principais elementos do caso, incluindo a localização do corpo e as versões apresentadas pela defesa.
Depois do crime, Farah colocou o corpo no porta-malas do carro e se internou em uma clínica psiquiátrica. Uma sobrinha procurou a polícia três dias depois. Os investigadores encontraram Maria do Carmo dentro de sacos de lixo e foram até a clínica onde o médico estava internado. Para Miranda, Farah estava em flagrante por ocultação de cadáver.
Na delegacia, o médico afirmou que havia sofrido um apagão e que não se lembrava do que tinha acontecido. A apuração policial indicou uma relação conturbada entre ele e a vítima. Maria do Carmo teria ficado com sequelas após uma cirurgia plástica e buscava reparação. Conforme a investigação, ela chegou a fazer quase 4 mil ligações para o consultório em apenas um mês.
“Ela fazia o papel de uma espécie de líder de outras mulheres que também ficaram com sequelas”, disse o delegado. Miranda também afirmou que ouviu algumas dessas mulheres e descreveu Farah como um psiquiatra que, depois de participar de um seminário de cirurgia plástica, passou a realizar procedimentos sem condições para isso.
A defesa sustentava que médico e paciente haviam mantido um relacionamento amoroso e que o assassinato teria sido motivado por perseguição. Farah permaneceu preso por quatro anos, mas foi solto devido à demora do julgamento. Depois, foi levado duas vezes ao Tribunal do Júri e condenado a 14 anos e oito meses de prisão.
Quatorze anos depois do crime, policiais foram à casa do médico para cumprir o mandado de prisão. Farah usava roupas de mulher e havia implantado silicone no peito e nas nádegas. Quando a polícia cercou a residência, ele se matou e não chegou a ser preso.


