A notícia e o que está por trás
Brasil

Eleição brasileira é apresentada como disputa sobre soberania e influência dos EUA

Paulo Nogueira Batista Jr. relaciona a candidatura de Flávio Bolsonaro à nova política externa de Donald Trump.

Eleição brasileira é apresentada como disputa sobre soberania e influência dos EUA

O economista e escritor Paulo Nogueira Batista Jr. afirma que a eleição brasileira ocorre sob risco inédito para a soberania nacional, devido à combinação entre a candidatura competitiva de Flávio Bolsonaro e a nova fase da política internacional dos Estados Unidos. Na avaliação do autor, a eventual eleição de um segundo governo Bolsonaro poderia ampliar a subordinação do Brasil a Donald Trump e aprofundar o alinhamento do país com Washington.

O artigo foi concluído antes do primeiro turno. O autor considera que uma vitória de Lula, no primeiro ou no segundo turno, deixaria o Brasil mais preparado para enfrentar ameaças estrangeiras, mas ressalta que os problemas do cenário internacional e a relação com uma superpotência agressiva continuariam por longo período.

A mudança na política dos Estados Unidos

Para Batista Jr., o governo Trump 2 representa uma versão mais agressiva do primeiro mandato. O autor sustenta que o Ocidente, em especial os Estados Unidos, perdeu influência com a formação de um mundo multipolar marcado pela ascensão da China e de outros países do Leste da Ásia.

O texto afirma que, nas décadas iniciais do século 21, Estados Unidos e países europeus abandonaram a defesa do livre-comércio e passaram a adotar políticas de proteção e intervenção estatal. Como essa mudança não teria impedido o avanço da China, o Ocidente teria ampliado a pressão por meio da ruptura de regras, acordos e tratados e do enfraquecimento de instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial, entre elas a ONU e a OMC.

Na interpretação apresentada, o recurso ao poder militar passou a ocupar espaço central durante o governo Trump. A ameaça ou o uso da força seria empregado para obter concessões e pressionar países considerados pouco cooperativos ou hostis. O autor resume esse cenário como uma transformação das relações internacionais em uma lei da selva.

O foco no Hemisfério Ocidental

O artigo destaca dois documentos do governo Trump: a Estratégia de Segurança Nacional, divulgada em novembro de 2025, e a Estratégia de Defesa Nacional, publicada em janeiro de 2026. Segundo Batista Jr., ambos apresentam a retomada do controle sobre o Hemisfério Ocidental como prioridade, abrangendo a região da Groenlândia à Patagônia.

O autor também cita declarações de Donald Trump e do ministro das Relações Exteriores, Marco Rubio, para sustentar que os Estados Unidos pretendem reduzir a presença econômica e política da China na América Latina. Nessa estratégia, Washington recorreria a meios econômicos, políticos e, se necessário, militares.

O texto menciona ações envolvendo a Groenlândia, Cuba e Venezuela. A intervenção na Venezuela é descrita pelo autor como uma operação que teria levado ao sequestro do presidente do país e à transformação do território em protetorado dos Estados Unidos, com controle sobre suas riquezas, especialmente as reservas de petróleo. Também é citada a ampliação da presença militar americana na Groenlândia após ameaças dirigidas à Dinamarca e ao território.

Em relação a Cuba, Batista Jr. afirma que o embargo foi radicalizado durante o governo Trump e considera possível uma agressão militar ou uma invasão depois das eleições parlamentares americanas em novembro. Para o autor, as ações contra Venezuela e Cuba, além da pressão sobre a Dinamarca e a Groenlândia, têm em comum o objetivo de conter a influência da China e da Rússia.

Alinhamento regional

Batista Jr. sustenta que a influência dos Estados Unidos aumentou no Hemisfério Ocidental com a eleição de governos alinhados a Washington e a Tel Aviv. Ele identifica o modelo Javier Milei como uma referência regional marcada pela subordinação explícita aos Estados Unidos e pelo apoio incondicional a Israel.

Na lista apresentada pelo autor, apenas três países grandes manteriam uma linha independente: o Canadá de Mark Carney, o Brasil de Lula e o México de Claudia Sheinbaum. Ele também cita Cuba, Nicarágua e, em menor medida, Suriname.

A conclusão do artigo é que os Estados Unidos buscariam ajudar a eleger no Brasil um governo alinhado a seus interesses, descrito como um possível equivalente brasileiro de Javier Milei. Para Batista Jr., o objetivo seria submeter o país à área de influência americana sem a necessidade de uma intervenção militar direta.

Paulo Nogueira Batista Jr. foi vice-presidente e fundador do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos Brics em Xangai, entre 2015 e 2017, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países em Washington, entre 2007 e 2015. Ele publicou, em 2019, o livro “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.