BRASÍLIA — O humorista Gustavo Mendes volta aos palcos com o espetáculo “Mais Atrevido” neste sábado (3), às 21h, no Teatro dos Bancários, na Asa Sul. A apresentação marca a retomada das atividades presenciais depois de um período de afastamento iniciado durante a pandemia.
A montagem combina textos baseados na trajetória de Mendes, observações sobre o cotidiano, improvisos, números musicais e material novo. O retorno também inclui a personagem inspirada na ex-presidenta Dilma Rousseff, interpretada pelo humorista desde 2011 e associada à ampliação de sua projeção nacional.
A volta da personagem Dilma
Mendes deixou de interpretar a personagem em 2016 e decidiu retomá-la paralelamente ao retorno aos palcos e à produção de vídeos para as redes sociais. Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, afirmou que “Mais Atrevido” é um espetáculo de celebração, relacionado às mudanças vividas ao longo de sua carreira e de sua vida pessoal.
A nova fase da personagem também aparece em conteúdos mais longos publicados no YouTube. Entre os temas abordados estão comunismo, apostas esportivas e desinformação. O humorista disse que procura desmistificar o que chamou de “fantasma do comunismo”, além de explicar o funcionamento das bets e das fake news.
A política continua integrada ao trabalho de Mendes. A imitação de Dilma é usada para comentar acontecimentos da política brasileira e construir críticas sobre diferentes personagens públicos. Para o humorista, a comédia ajuda a tratar de temas complexos e dolorosos porque facilita a aproximação do público com assuntos difíceis.
Texto e limites da comédia
Mendes também afirmou que passou a dedicar mais atenção à elaboração dos textos e à construção dos personagens. Segundo ele, atualmente publica três conteúdos inéditos por dia nas redes sociais, embora considere essa rotina uma carga de trabalho muito intensa.
Na entrevista, o humorista rejeitou a ideia de que a comédia deva funcionar sob o princípio de que tudo é permitido sem considerar as circunstâncias. “Pode se fazer piada com absolutamente tudo, a questão é quando”, afirmou.
Ao comentar racismo, homofobia e transfobia, Mendes defendeu que as condições sociais relacionadas a essas questões precisam mudar para que determinados temas possam ser tratados de outra maneira pelo humor. Ele relacionou essa posição ao próprio engajamento político.
Serviço
A apresentação será no Teatro dos Bancários, localizado na Eqs 314/315, Bloco A, Asa Sul, Brasília (DF). A classificação indicativa é de 14 anos. Os ingressos custam R$ 75, na meia-entrada, e R$ 150, na inteira.


