NOVA YORK — O Estado-Maior das Forças Armadas do Irã rejeitou as ameaças feitas por Donald Trump em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas e afirmou que as declarações revelam um impasse estratégico dos Estados Unidos na guerra contra o país. A avaliação foi divulgada em comunicado assinado também pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbiya.
O comando iraniano acusou Trump de usar a tribuna da ONU para propaganda doméstica, justificar agressões e ampliar a insegurança. Para os militares, a repetição de ameaças não demonstra força, mas desespero estratégico diante do desgaste das Forças Armadas americanas. O comunicado também classificou os Estados Unidos como fonte de instabilidade na Ásia Ocidental e afirmou que o Irã continuará preparado para responder aos agressores e aos líderes americanos e israelenses.
O texto citou a experiência iraniana nos oito anos de guerra contra o Iraque e afirmou que as Forças Armadas do país estão prontas para ataques “mais severos, mais esmagadores e imprevisíveis”. O documento também chamou Trump de assassino do aiatolá Ali Khamenei e mencionou vítimas de ataques a escolas em Minab e Lamerd. A expectativa expressa pelos militares é que o presidente Masoud Pezeshkian leve à Assembleia Geral a mensagem de um Irã forte.
Negociações têm relatos diferentes
Trump havia dito que precisava decidir entre um acordo que permitisse a reconstrução do Irã e a destruição rápida da República Islâmica. Ele afirmou esperar um entendimento depois das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, em troca do fim do programa nuclear iraniano e do que Washington define como apoio ao terrorismo.
No mesmo dia, representantes dos dois países retomaram contatos à margem da Assembleia Geral, nos primeiros diálogos desde o colapso do cessar-fogo de junho. O enviado americano Steve Witkoff disse que os mediadores circularam entre as delegações. Trump, por sua vez, afirmou que Witkoff e Jared Kushner participaram de uma reunião de três horas com os iranianos. A Casa Branca esclareceu que o presidente não esteve no encontro.
A televisão estatal iraniana confirmou uma reunião entre o chanceler Abbas Araghchi e Witkoff. O porta-voz da chancelaria, Esmail Baghaei, afirmou que um mediador do Catar transmitiu as condições de Teerã: fim da guerra em todas as frentes, encerramento dos atos de agressão, suspensão do bloqueio naval americano e liberação de ativos iranianos congelados. As exigências também incluem o fim da guerra no Líbano.
Estreito de Ormuz continua fechado
A guerra começou em 28 de fevereiro, com bombardeios dos Estados Unidos e de Israel. Em resposta, o Irã atacou Israel, bases americanas no Golfo e aliados árabes de Washington, além de fechar o Estreito de Ormuz. Antes do conflito, a passagem era usada por cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.
O bloqueio provocou oscilação nos preços da energia, enquanto os Estados Unidos mantêm portos iranianos bloqueados e ameaçam sancionar países que continuem negociando com Teerã. O Irã condiciona a reabertura do estreito à redução da pressão militar e ao fim do bloqueio. Uma autoridade iraniana afirmou que a passagem poderia ser reaberta em até sete dias se essas condições fossem atendidas.
Apesar de declarações americanas sobre avanços, as divergências permanecem. Teerã exige também o fim da guerra no Líbano. O conflito ganhou outra frente com a intensificação dos ataques dos houthis, do Iêmen, contra o transporte de petróleo da Arábia Saudita.



