TEERÃ — A menos de dois meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o Irã intensificou a pressão militar e política contra o governo de Donald Trump. O Estreito de Ormuz continua bloqueado, ataques contra navios contribuíram para a alta dos preços do petróleo e Teerã passou a exigir novas condições para encerrar a guerra.
O conflito já dura mais de seis meses. A possibilidade de uma retomada das hostilidades em larga escala permanece, depois de 40 dias de bombardeios israelenses e americanos, entre 28 de fevereiro e a trégua de abril. O Irã também tem um novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que permanece distante dos holofotes.
Pressão sobre Ormuz e exigências
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que “Acabou a era das respostas proporcionais”. Na quarta-feira (9), o Irã reivindicou ataques contra 10 embarcações que tentavam atravessar o estreito e anunciou que pretende ampliar a zona em que os navios precisarão de autorização para navegar.
A medida busca restringir ainda mais uma passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás. Para Sanam Vakil, diretora do programa para o Oriente Médio no Chatham House, Teerã usa o bloqueio e a ameaça de perturbações mais amplas para enfraquecer os Estados Unidos antes da votação.
As exigências apresentadas pela Guarda Revolucionária incluem a retirada de tropas israelenses que operam no sul do Líbano e o desbloqueio de quase 24 bilhões de dólares em ativos iranianos congelados. O Irã também atacou uma instalação americana na Jordânia, em represália à destruição de cinco petroleiros iranianos pelas forças dos Estados Unidos na terça-feira. O ataque causou danos leves a oito aviões F-15.
O secretário do Conselho Superior de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezai, afirmou no domingo passado que o país não avançará nas negociações sem medidas americanas para criar confiança. “Devem passar à ação”, disse.
Disputa eleitoral e crise interna
Thomas Juneau, professor da Universidade de Ottawa, avaliou que o Irã acredita estar vencendo a guerra e vê a campanha eleitoral como uma oportunidade para explorar a fragilidade americana e alterar a ordem regional a seu favor. Para Ali Alfoneh, pesquisador do Arab Gulf States Institute, Teerã não tem condições de derrotar militarmente os Estados Unidos, mas tenta enfraquecer Trump politicamente ao manter elevado o preço da gasolina e associá-lo a uma guerra sem fim.
Trump acusou o Irã de tentar influenciar a votação e disse acreditar que a guerra terminará imediatamente depois das eleições, porque o país não conseguiria resistir por mais tempo. Seus conselheiros, porém, alertaram que a resistência iraniana poderia continuar além do fim de seu mandato, em janeiro de 2029.
Internamente, o governo iraniano enfrenta uma crise econômica que provocou manifestações reprimidas de forma violenta no fim do ano passado. Juneau advertiu que existe risco de Teerã ir longe demais, enquanto a deterioração econômica amplia a revolta popular e a vulnerabilidade do governo.



