Três ativistas de Hong Kong que organizavam vigílias em memória da repressão da Praça Tiananmen foram condenados nesta sexta-feira (11) a penas de cinco a sete anos de prisão. Lee Cheuk-yan, Chow Hang-tung e Albert Ho foram considerados culpados por incitação à subversão em agosto e estavam detidos desde que foram acusados em 2021.
Lee Cheuk-yan, de 69 anos, recebeu sete anos de prisão, enquanto Chow Hang-tung, de 41, foi condenada a sete anos e três meses. Albert Ho, de 74 anos, foi sentenciado a cinco anos e dois meses depois de se declarar culpado. Lee e Chow haviam se declarado inocentes.
Vigílias proibidas
Os três eram líderes da Aliança de Hong Kong, grupo dissolvido que promovia vigílias anuais no Parque Victoria para lembrar as pessoas mortas em 4 de junho de 1989. Naquela data, tropas e tanques enviados por Pequim reprimiram os protestos por reformas políticas na Praça Tiananmen, em Pequim.
Hong Kong e Macau eram os únicos territórios chineses onde esses atos públicos ainda eram permitidos. As vigílias deixaram de ocorrer de fato em Hong Kong depois que o governo chinês impôs, em 2020, uma lei de segurança nacional, após manifestações pró-democracia realizadas no ano anterior.
Em agosto, o tribunal concluiu que os ativistas haviam violado a Constituição chinesa ao defender “o fim da ditadura do partido único”. A sentença afirmou que, embora não houvesse registro de violência nem um cronograma preciso para encerrar o sistema de partido único, as ações tinham gravidade considerável.
Chow acenou para os apoiadores ao deixar o tribunal escoltada. Lee fez o sinal da cruz, sorriu e cumprimentou simpatizantes.
Reações e destino de monumento
Antes da sentença, Chow afirmou que os processos pretendiam apagar a memória da repressão de Tiananmen. O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, disse que direitos humanos, democracia e liberdade não poderiam ser usados como pretexto para prejudicar o país e seus cidadãos.
As autoridades de Taiwan acusaram a Justiça de Hong Kong de fazer julgamentos políticos em nome da segurança nacional. Elaine Pearson, diretora para a Ásia da Human Rights Watch, criticou as penas. A Anistia Internacional afirmou que as condenações atingiam os ativistas, os sobreviventes e as vítimas da repressão, além das gerações de habitantes de Hong Kong.
A Aliança também administrava um museu sobre Tiananmen e cuidava da limpeza anual da escultura “Pillar of Shame”, dedicada às vítimas. O monumento foi desmontado em 2021, e o Ministério Público pediu a apreensão da obra e dos arquivos do museu. O juiz Alex Lee disse que o destino da estátua será definido após a resolução da disputa sobre sua propriedade.
Um levantamento do início de agosto registrou 415 detenções em Hong Kong por motivos relacionados à segurança nacional. Dessas pessoas, 185 haviam sido declaradas culpadas. O escultor dinamarquês Jens Galschiot classificou como escandalosos o resultado do julgamento e a possibilidade de apreensão de sua obra.



