O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, exigiu neste sábado (26) o retorno imediato de Nicolás Maduro à Venezuela. Durante a sessão plenária da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, ele classificou o ataque realizado pelos Estados Unidos no país, em 3 de janeiro, e o sequestro do presidente venezuelano como ações que enfraquecem o direito internacional, a paz e a segurança mundiais.
Lavrov liderou a delegação russa e apresentou críticas à ordem internacional, ao papel das organizações multilaterais e ao que descreveu como ambições expansionistas militares do Ocidente. Também reafirmou o apoio de Moscou ao fim do bloqueio econômico contra Cuba, à interrupção do genocídio cometido pelas forças israelenses na Palestina e à resolução da situação provocada pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Em seu discurso, o ministro acusou potências europeias de minimizar manifestações da ideologia neonazista no regime de Kiev e de esquecer o genocídio contra o povo soviético. Ele também criticou o revisionismo histórico e o governo alemão, após declarações do primeiro-ministro Friedrich Merz sobre tornar a Alemanha novamente a principal potência militar da Europa. Para Lavrov, uma nova remilitarização em Berlim teria consequências históricas graves.
O representante russo condenou ainda a proibição legal da língua russa na Ucrânia e acusou a União Europeia de permanecer em silêncio diante do que chamou de violação da liberdade de expressão, de religião e de outras garantias previstas na Carta da ONU. “Essa política de repressão linguística e cultural é inaceitável e deveria ser condenada pela comunidade internacional”, afirmou.
Lavrov disse que o Ocidente tenta impor sua visão de mundo por meio do uso desproporcional e ilegítimo da força e criticou o que considera tratamento diferente para ações de Washington e de Moscou. Também afirmou que a russofobia abre espaço para práticas fascistas e supremacistas que levaram a um confronto global.
O ministro declarou que a luta para proteger a população de Donbas e Novorossiya continuará até a eliminação das ameaças à segurança nacional russa e a restauração da paz. Ele defendeu o projeto multilateral do Brics e afirmou que a ONU deve servir ao diálogo e à cooperação, não aos interesses de determinados países.
Lavrov rejeitou assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU para Alemanha e Japão, citando tendências militaristas, e apoiou a entrada do Brasil e da Índia. Também defendeu a aplicação do Consenso de Ezulwini e da Declaração de Sirte para ampliar a representação da África, da Ásia e da América Latina no órgão.
Ao destacar o Dia Internacional contra o Colonialismo, anunciou que a Rússia sediará a Assembleia Mundial do Movimento Interpartidário Internacional pela Liberdade das Nações. Ao final, afirmou que a multipolaridade deve orientar a construção de um mundo mais justo e equilibrado.

