RIO GRANDE DO SUL — As candidaturas de pessoas que declararam ser vereadoras ou deputadas ganharam peso nas disputas pelo governo estadual, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Juntas, essas ocupações representavam 10,86% dos registros em 2022 e chegaram a 13,13% em 2026, embora o total de candidaturas tenha caído de 1.437 para 1.051 no período, uma redução de 26,9%.
A mudança aparece principalmente entre vereadores que tentam avançar para outros mandatos. Em 2022, 104 vereadores disputaram uma vaga: 76 buscaram a Assembleia Legislativa e 22, a Câmara dos Deputados. Em 2026, foram 89 candidatos nessa condição, com 53 mirando o Legislativo estadual e 32, o federal. Assim, a parcela dos que disputaram uma cadeira em Brasília passou de 21,2% para 36%.
Entre os candidatos que declararam a ocupação de deputado, 32 de 52 concorreram em 2022 à Assembleia Legislativa ou à reeleição, enquanto 18 buscaram a Câmara. Em 2026, 26 dos 49 disputaram uma vaga no Legislativo estadual e 20, no federal.
Empresariado, funcionalismo e segurança pública
Empresários continuaram entre os grupos mais numerosos, mas sua participação caiu de 11,2% para 10,37%. A proporção de advogados subiu de 8,91% para 9,23%. Quando empresários, administradores, comerciantes e comerciários são reunidos, o conjunto passou de 16,49% para 15,22% das candidaturas.
A presença de servidores públicos municipais, estaduais e federais em atividade recuou de 7,45% para 4,76%. Servidores aposentados e militares reformados passaram de 5,85% para 4,28%. Entre os militares reformados, houve queda de 19 candidaturas, equivalentes a 1,32% do total, para duas, ou 0,19%. Os policiais militares também perderam participação, de 1,74% para 1,24%.
Para a socióloga Lúcia Garcia, técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a redução está relacionada a mudanças no trabalho público, à perda de prestígio do Estado e aos desafios enfrentados por sindicatos e associações. Sobre os policiais militares, ela avaliou que a conjuntura eleitoral mudou e que a violência perdeu espaço como resposta simples para problemas complexos.
Educação e saúde avançam
As candidaturas ligadas à educação tiveram o maior crescimento proporcional entre os grandes grupos analisados. Professores dos ensinos fundamental, médio e superior passaram de 2,92% para 4,95% do total.
No ensino fundamental, foram 15 candidaturas em 2022 e 18 em 2026. Entre professores do ensino médio, o número subiu de 16 para 20; no ensino superior, de 11 para 14. A saúde também avançou, de 2,78% para 3,52%, com destaque para enfermeiros: seis candidaturas, ou 0,42%, em 2022, contra 15, equivalentes a 1,43%, em 2026.
A agricultura e a pecuária mantiveram 25 candidaturas nos dois pleitos, mas cresceram proporcionalmente de 1,74% para 2,38% por causa da redução geral dos registros.
Diferenças entre homens e mulheres
A ocupação de dona de casa foi declarada somente por mulheres nos dois anos, com 11 candidaturas em 2022 e seis em 2026. Entre professores do ensino fundamental, as mulheres passaram de nove em 15 candidaturas, ou 60%, para 15 em 18, ou 83,3%.
Entre advogados, a participação feminina subiu de 24,2%, correspondente a 31 de 128, para 33%, ou 32 de 97. Entre empresários, o número de mulheres caiu de 48 para 27, enquanto o de homens passou de 113 para 82. A fatia feminina recuou de 29,8% para 24,8%.
A presença de mulheres entre vereadores candidatos a outros cargos permaneceu em torno de 33,7%. Entre deputados, subiu de 17,3%, ou nove de 52, para 26,5%, ou 13 de 49. Na agricultura, nenhuma mulher havia declarado essa ocupação em 2022; em 2026, foram quatro entre 18 candidaturas.
A categoria genérica “outros” também perdeu espaço, de 18,86% para 12,84%. As ocupações distintas declaradas passaram de 111 para 105. Para Garcia, o aumento de vereadores e deputados entre os candidatos indica especialização das carreiras políticas, mas a concentração de recursos em lideranças consolidadas dificulta a entrada de novos nomes.



