PORTO ALEGRE — A organização política na Lomba do Pinheiro começou a se aproximar das disputas eleitorais em 1978, quando Selvino Heck participou de sua primeira campanha, ainda como frei franciscano e morador da região. O candidato era o padre Roque Steffen, que concorreu a deputado estadual pelo MDB autêntico durante a ditadura militar.
Sem apoio institucional da Igreja Católica e de sua congregação, Steffen foi acolhido na casa-comunidade franciscana da rua São Pedro, na Vila São Pedro, onde permaneceu durante a campanha. Heck e outros moradores se engajaram na candidatura, que terminou sem eleição, mas com votação considerada boa nas memórias registradas pelo próprio Heck.
A organização do núcleo petista
A experiência contribuiu para aproximar lideranças comunitárias da militância partidária. Em 1980, a maioria dessas lideranças ajudou a organizar o Partido dos Trabalhadores e criou o Núcleo de Base do PT da Lomba do Pinheiro. O núcleo funcionou inicialmente na casa de Heck, na Vila Santa Helena, e depois na residência de José Carlos Pintado, conhecido como seu Cantílio, na Vila São Pedro.
Entre os moradores citados nesse processo estão Dona América e Zé da Lomba, apresentados como lideranças comunitárias ainda militantes. A organização reunia trabalhadores, representantes de associações e participantes de iniciativas comunitárias da região.
A segunda experiência eleitoral ocorreu em 1982, na primeira campanha do PT, fundado em fevereiro de 1980. Em Viamão, município ao qual parte da Lomba do Pinheiro pertencia naquele período, o pedreiro Zé da Lomba foi lançado candidato a prefeito, tendo o também pedreiro Mário Declerque como candidato a vice-prefeito. Adão Lemos Alves, presidente da Associação de Moradores da Vila São Pedro, concorreu a vereador.
Heck disputou uma vaga de deputado estadual, enquanto Ana Godoy foi candidata a vereadora por Porto Alegre. Moradora da então Vila Tamanca, posteriormente chamada Vila Esmeralda, Godoy era uma das principais lideranças comunitárias da região.
A eleição de 1982
Uma publicação de Venâncio Aires, datada de 08.10.82, registrou a campanha de Heck ao lado de Rogério Heinen e Maria Joelma Lopes. O material apresentava o PT como uma organização ligada aos movimentos populares e formada por trabalhadores.
Na eleição, realizada ainda durante a ditadura, não houve disputa para prefeitos de capitais, governadores ou presidente. O PT elegeu apenas um vereador em todo o Rio Grande do Sul: o jornalista Antônio Hohlfeldt, em Porto Alegre. Ana Godoy foi sua primeira suplente e assumiu a Câmara Municipal em várias ocasiões.
Heck afirma ter sido o candidato a deputado estadual mais votado do PT do Rio Grande do Sul, mas o partido não alcançou o quociente mínimo necessário para eleger um deputado.
Em seu livro Vila Esmeralda – Uma voz dos que não têm voz, publicado em 1982, Godoy defendeu a participação política dos moradores das vilas e a presença de trabalhadores no Parlamento. Para ela, a atuação comunitária não deveria se limitar ao voto, mas incluir a organização coletiva e a disputa por representação institucional.
A terceira experiência eleitoral mencionada nas memórias ocorreu em 1986. O relato sustenta que a trajetória eleitoral do PT na Lomba do Pinheiro esteve associada ao trabalho das associações comunitárias, das pastorais sociais, das Comunidades Eclesiais de Base e de processos permanentes de formação política.



