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Pier Giorgio Frassati e a resistência cristã ao fascismo

Canonizado em 2025, o jovem italiano associou a fé à defesa dos pobres, dos trabalhadores, da democracia e dos direitos humanos.

Pier Giorgio Frassati e a resistência cristã ao fascismo

Pier Giorgio Frassati encontrou na fé cristã um compromisso com os pobres, os trabalhadores e a defesa da liberdade. Jovem de uma família burguesa de Turim, na Itália, ele também enfrentou o fascismo e não aceitou submeter-se à sua lógica de ódio, violência e autoritarismo.

Nascido em 6 de abril de 1901, Frassati era filho de Alfredo Frassati, fundador do jornal La Stampa. Sua aproximação com Jesus ocorreu na Ação Católica, primeiro pela Eucaristia e, depois, no contato com pessoas pobres. Para ele, não havia separação entre o Cristo adorado no Pão e aquele encontrado nas ruas. Amar os pobres significava não apenas levar alimento, mas questionar as razões de sua falta.

A Rerum Novarum contribuiu para que percebesse as consequências sociais da fé. Frassati se empenhou pelos direitos dos trabalhadores e pela justiça. Canonizado em 7 de setembro de 2025 pelo Papa Leão 14, tornou-se uma referência para a relação entre espiritualidade e compromisso social.

Fé, política e reconhecimento do fascismo

O fascismo de Mussolini foi marcado pelo ódio, pela violência e pelo totalitarismo. Em 1931, Pio 11 condenou esse sistema na encíclica Non abbiamo bisogno, expressão que significa “Não temos necessidade”. O documento denunciou a tentativa de controlar a juventude e a invasão, pelo Estado, da consciência, da família e da Igreja.

A identificação do fascismo exige atenção aos sinais que podem reaparecer sob outras formas. Em O fascismo eterno, Umberto Eco relaciona esse fenômeno ao medo da diferença, à fabricação de inimigos, ao desprezo pelo pensamento crítico e ao culto da força. Mentira, ódio e preconceito também podem se espalhar pelas redes e se tornar parte do cotidiano.

O fascismo procura disputar consciências e a cultura antes de conquistar o Estado. Antonio Gramsci observou como o intolerável pode se tornar aceitável. Martin Niemöller, pastor perseguido pelo nazismo, resumiu o risco da omissão: “Quando vieram me buscar, já não havia quem falasse”. A ameaça dirigida a outra pessoa também pode alcançar quem permaneceu em silêncio.

Hannah Arendt chamou atenção para a banalização do mal, processo em que a ausência de reflexão transforma aquilo que deveria causar indignação em rotina. Pensar, nesse sentido, é uma forma de resistência. Norberto Bobbio associou democracia, direitos humanos e Estado democrático de direito, no qual o poder deve estar submetido à lei.

Redes, cristianismo e democracia

Em 21 Lições para o Século 21, Yuval Noah Harari trata do uso de dados, redes e algoritmos para explorar medos e radicalizar pessoas. A disputa política também pode ocorrer por meio das telas, com efeitos sobre a consciência e a capacidade de pensar.

Quando o fascismo se manifesta entre cristãos, há uma contradição com o Evangelho. A fé não se concilia com homofobia, misoginia, racismo, intolerância religiosa, preconceito ou discriminação. Também não basta invocar Deus, pátria, família e valores cristãos enquanto se disseminam intolerância e desprezo pelos direitos humanos e pela democracia.

A mensagem atribuída a Jesus é de amor e paz: “Amai-vos uns aos outros” (Jo 15,12). Para essa perspectiva, o discípulo de Jesus não deve ser identificado com o ódio ou com a guerra, mas com o amor e a paz.

Frassati morreu em Turim, em 4 de julho de 1925, aos 24 anos, vítima de poliomielite fulminante. Sua trajetória combina a devoção eucarística, a presença entre os pobres e a defesa de pão, dignidade, liberdade e justiça. O fascismo pode mudar de aparência, mas a exigência de reconhecê-lo e resistir a ele permanece.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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