O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central avalia que as expectativas de inflação acima da meta exigem a manutenção de juros restritivos por mais tempo. A conclusão aparece na ata da reunião divulgada nesta terça-feira (22), após a redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano na semana passada.
O documento afirma que a dificuldade de levar as expectativas para a meta de 3% exige uma política monetária mais rigorosa do que em condições comuns. Por isso, o período de juros elevados pode se prolongar para conter a alta dos preços. A ata registra que, em um ambiente de expectativas desancoradas, é necessária uma restrição monetária maior e mais duradoura.
A decisão da última quarta-feira (16) foi o quinto corte consecutivo da Selic desde março. O Banco Central havia mantido a taxa em 15% ao ano durante nove meses antes de iniciar o ciclo de redução. Embora os juros tenham caído em sequência, o Copom não se comprometeu com novos cortes: a extensão do ciclo dependerá da evolução dos indicadores econômicos.
Desaceleração ainda não afasta pressão sobre preços
A ata reconhece que os efeitos da política monetária sobre a atividade estão se acumulando. A desaceleração é mais intensa nos setores e componentes da demanda que costumam reagir primeiro às mudanças na taxa de juros. O mercado de crédito também perdeu ritmo, principalmente nas operações de prazo mais longo.
Ao mesmo tempo, o desemprego permanece em níveis historicamente baixos, e os salários continuam crescendo acima da produtividade do trabalho. Para o Banco Central, esse quadro pode manter pressões sobre os preços. A desaceleração ajuda a reduzir a inflação, mas ainda não garante uma aproximação duradoura da meta.
No cenário de referência do Banco Central, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve terminar 2026 em 5,2% e recuar para 3,9% em 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, período considerado nas decisões sobre os juros, a projeção é de 3,2%, ainda acima do centro da meta de 3%.
As projeções do mercado financeiro reunidas no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (21) indicam inflação de 4,92% em 2026, ante 4,90% na semana anterior. Para 2027, a estimativa permaneceu em 4,30%. Mesmo com a revisão para cima da inflação, o mercado reduziu de 13,75% para 13,50% a previsão para a Selic no fim deste ano.

