BRASÍLIA — O Banco Central afirmou nesta terça-feira (22) que o enfraquecimento da disciplina fiscal e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem dificultar novos cortes nos juros. Segundo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), esses fatores podem elevar o nível da taxa básica necessário para controlar a inflação.
O documento registra as discussões da reunião realizada nos dias 15 e 16 de setembro, quando o Copom aprovou a redução de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14% para 13,75% ao ano. Essa foi a quinta redução consecutiva desde março.
A ata explica que as decisões do governo sobre arrecadação e despesas afetam a inflação em diferentes horizontes. No curto prazo, os gastos públicos podem estimular o consumo e a atividade econômica. Ao mesmo tempo, dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública podem aumentar a percepção de risco dos investidores.
Efeito sobre a política monetária
Na avaliação do Copom, esses efeitos podem elevar a chamada taxa de juros neutra, nível que não estimula nem desacelera a economia. Se isso ocorrer, será necessária uma política monetária mais restritiva para conter a alta dos preços.
O documento também relaciona a condução das contas públicas à convergência da inflação para a meta. “Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, afirma a ata.
O Copom voltou a destacar a necessidade de coordenação entre as políticas fiscal e monetária. A primeira envolve receitas e despesas do governo; a segunda corresponde à condução dos juros pelo Banco Central.
Embora reconheça que o nível elevado dos juros tem contribuído para desacelerar a economia e reduzir a inflação, o BC avalia que a demanda ainda pressiona os preços. Por isso, considera necessário manter uma política monetária restritiva.
A ata não sinaliza compromisso com novas reduções da Selic. “O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, registra o documento.

