O Banco Central detalhou, em ata divulgada nesta terça-feira (22), a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 13,75% para 14% ao ano, na semana passada. Desde o início do ciclo de cortes, em março, o colegiado tem adotado essa medida diante das incertezas sobre a economia e a inflação.
Entre os fatores mencionados estão a guerra no Oriente Médio, o El Niño e as dúvidas sobre a velocidade de desaceleração da atividade econômica. Após a reunião, o Copom também apontou uma perda recente de ritmo na atividade e na inflação no Brasil, mas evitou indicar os próximos passos da política monetária.
A ata afirma que o cenário exige cautela por causa do aumento da incerteza, da desancoragem das expectativas e dos riscos em torno das projeções. O próximo encontro do comitê está marcado para os dias 3 e 4 de novembro.
Projeções para a inflação
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% reais e 4,5%. Para o período atualmente considerado pelo Copom, a projeção para o IPCA foi mantida em 3,2% entre as reuniões de agosto e setembro.
As estimativas, porém, subiram para os anos seguintes. A previsão para o final de 2026 passou de 5,1% para 5,2%, acima do limite de tolerância, enquanto a projeção para o encerramento de 2027 avançou de 3,8% para 3,9%.
As contas usam a trajetória da Selic indicada pelo Boletim Focus, de 13,75% no final de 2026 e 12% no encerramento de 2027. Também consideram uma taxa de câmbio que começa em R$ 5,15 e evolui conforme a paridade do poder de compra.
Após o IPCA de agosto, de -0,32%, o Banco Central destacou que a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram e voltaram para o intervalo da meta, embora ainda estejam acima de 3,0%. O comitê afirmou que “monitora com atenção” a distância entre as expectativas e o objetivo oficial.
Atividade econômica e cenário externo
O Boletim Focus aponta mediana de 4,9% para a inflação no fim de 2026 e de 4,3% para o término de 2027. No Copom anterior, as projeções eram de 5,0% e 4,2%, respectivamente.
Na avaliação da atividade, o Banco Central passou a descrever os indicadores recentes como sinais de uma moderação gradual da economia. Em agosto, havia usado a expressão “sugere”. Entre os dados divulgados no intervalo está o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que cresceu 0,5% e apresentou setores cíclicos mais fracos.
O Copom manteve ainda o acompanhamento da política fiscal doméstica e de seus efeitos sobre a política monetária e os ativos financeiros. A análise do ambiente externo também não foi alterada, apesar do início do processo de alta de juros nos EUA.


