O número de professores com até 24 anos nas escolas de ensino médio do Brasil caiu 31,1% entre 2015 e 2025. No Rio Grande do Sul, a redução chegou a 42,6%. Ao mesmo tempo, a quantidade de docentes com 60 anos ou mais cresceu 104,5% no país e 73,3% no estado.
Os dados fazem parte da segunda edição da pesquisa “Apagão dos Professores: o Desafio da Renovação dos Professores no Brasil”, produzida pelo Instituto Semesp. O levantamento foi divulgado na semana passada durante o 28º Fórum Nacional do Ensino Superior Particular Brasileiro (FNESP), em São Paulo.
No país, o contingente de professores de até 24 anos passou de 17,3 mil, em 2015, para 11,9 mil, em 2025. Já o número de docentes com 60 anos ou mais subiu de 18,2 mil para 37,3 mil no mesmo intervalo. A estimativa do instituto é de que, em 2040, haverá um professor jovem para cada seis docentes com 60 anos ou mais.
Para o Instituto Semesp, o envelhecimento do quadro, a proximidade da aposentadoria de uma parcela crescente dos profissionais e o avanço das contratações temporárias e terceirizadas dificultam a renovação da categoria.
Avanço dos contratos temporários
A rede pública tinha cerca de 146 mil professores temporários em 2015, o equivalente a 32,2% do quadro. Em 2025, esse número chegou a 205 mil, alta de 40,4%, e a participação desses profissionais alcançou 43,4%.
No sentido oposto, o número de professores concursados, efetivos ou estáveis caiu de cerca de 305 mil para 255 mil. A parcela que eles representavam no quadro recuou de 67,2% em 2015 para 54,1% em 2025.
Para medir a capacidade de reposição dos docentes diante das aposentadorias, o instituto criou a Taxa de Renovação Docente. O indicador compara o número de professores com até 24 anos ao de profissionais com 60 anos ou mais. Quanto menor o resultado, maior a dificuldade de renovação.
A taxa nacional era de 0,95 em 2015, próxima da proporção de um professor jovem para cada docente com 60 anos ou mais. Em 2025, caiu para 0,32, equivalente a aproximadamente um professor de até 24 anos para cada três docentes na faixa etária mais alta.
Diferenças entre as disciplinas
As menores taxas de renovação foram registradas em Geografia (0,216), História (0,234), Língua Portuguesa (0,240), Sociologia (0,263), Filosofia (0,274) e Artes (0,278).
Mesmo as áreas que tinham situação mais favorável em 2015 perderam capacidade de renovação. Em Química, o indicador caiu de 1,773 para 0,421; em Física, de 1,530 para 0,403; e em Biologia, de 1,450 para 0,372.
O professor de Filosofia Luan Pinheiro de Barros, da rede pública de Xangri-Lá, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, relaciona o afastamento dos jovens da carreira aos baixos salários, às cargas horárias elevadas, à desmotivação e ao adoecimento dos docentes. “Acho que existe uma contradição: temos um trabalho com um impacto social tão grande, mas a valorização salarial é muito baixa em comparação com esse impacto”, afirma.
Barros, que trabalha há cinco anos com alunos do ensino médio, também cita a percepção de que outras áreas oferecem retorno financeiro maior. Para ele, estudantes que precisam conciliar a continuidade dos estudos com limitações financeiras tendem a avaliar a formação pela possibilidade de gerar renda.
No Rio Grande do Sul, a Taxa de Renovação Docente caiu de 0,49 em 2015 para 0,16 em 2025. A relação passou de cerca de um professor jovem para cada dois docentes com 60 anos ou mais para aproximadamente um profissional de até 24 anos para cada 6,1 docentes nessa faixa etária.


