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Série de Luiz Villaça acompanha condenação injusta e desigualdades na Justiça

Produção protagonizada por Marjorie Estiano e Any Gabrielly estreia na Netflix e se inspira no Innocence Project Brasil.

“Habeas Corpus”, série dirigida por Luiz Villaça, acompanha a tentativa de reverter a condenação de um jovem e usa esse percurso para discutir desigualdades sociais e raciais no acesso à Justiça brasileira. A produção estreia nesta quarta-feira (23) na Netflix e tem Marjorie Estiano e Any Gabrielly como protagonistas.

A história parte do trabalho do Innocence Project Brasil, organização que investiga condenações injustas e atua para tentar revertê-las. Durante a pesquisa para a série, Villaça se chamou a atenção pelo número de pessoas que procuraram o projeto. “Nos poucos anos de vida desse projeto, mais de 9 mil pessoas já os procuraram”, afirmou o diretor.

Os pedidos, porém, não representam automaticamente casos de inocência comprovada. Antes de buscar uma revisão criminal, o projeto analisa as circunstâncias de cada condenação. Para Villaça, esse processo também expõe a influência da classe social e da raça sobre a experiência de pessoas encarceradas e inocentes. “Se você pegar o maior número de casos dessas pessoas encarceradas e inocentes, te digo que 99% são pessoas de classe socioeconômica baixa e, quase sempre, negras”, disse.

A investigação e os personagens

Na ficção, Inez, interpretada por Marjorie Estiano, é uma professora de Direito e ex-advogada criminalista que reúne estudantes para revisar a condenação de um jovem. Marina, personagem de Any Gabrielly, aproxima-se da professora por causa de uma injustiça que atingiu sua família.

A trama combina três ambientes: o de advogados bem-sucedidos, o de estudantes de Direito e o do homem preso. Entre os cinco alunos envolvidos na investigação, há o filho de um advogado de sucesso e uma bolsista que ingressou por cotas. A convivência entre eles permite abordar tanto as condições de acesso à profissão quanto a distância entre os projetos de quem está começando e as escolhas de quem já construiu uma carreira.

A história se desenvolve ao longo de oito episódios e acompanha um único caso, em vez de apresentar uma situação jurídica diferente a cada capítulo. A série também não se concentra no interior da prisão. A narrativa permanece da sala de visitas para fora, acompanhando os caminhos que levaram à condenação e as possibilidades de contestá-la.

A investigação jurídica se mistura aos conflitos pessoais, principalmente na relação entre Inez e Marina. As duas se aproximam enquanto procuram uma reparação para acontecimentos do passado, e esse encontro conduz parte do desenvolvimento da trama.

Vladimir Brichta, Danton Mello e Natália Lage interpretam advogados de destaque. O elenco também inclui Naruna Costa e outros nomes. Para preparar a produção, atores e profissionais da equipe participaram de workshops com advogados, foram a tribunais e acompanharam julgamentos, em uma tentativa de compreender os termos, os procedimentos e os diferentes aspectos da Justiça brasileira.

Preparação da equipe

A sala de roteiro foi liderada por Leonardo Moreira, responsável pelo roteiro final, e contou com Jeferson Tenório, Victoria Negreiros, Silvia Gomez e Donna Oliveira. Villaça afirmou que a diversidade entre os autores foi importante para a construção de personagens com experiências diferentes das suas.

O diretor destacou especialmente a contribuição de Tenório na elaboração de personagens sobre os quais ele próprio não teria a mesma perspectiva. Também mencionou a participação de Victoria Negreiros e Silvia Gomez nas discussões sobre os conflitos, as dúvidas e as motivações dos personagens.

Produzida pela Café Royal, “Habeas Corpus” foi criada por Villaça, Leonardo Moreira e Donna Oliveira. A direção dos episódios é dividida entre Villaça e Flávia Lacerda.

Ao falar sobre a proposta da série, Villaça disse que a preparação foi necessária para evitar uma abordagem superficial do sistema judiciário. A produção combina investigação, romances e conflitos pessoais, com a expectativa de levar o público a refletir sobre seus próprios julgamentos e sobre a forma como age diante das situações apresentadas.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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