Em artigo de opinião, o cientista político Ronaldo Teodoro relaciona a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) à intenção de voto no presidente Lula nas eleições de 2026. Para o autor, há uma convergência entre os brasileiros que dependem ou reconhecem a importância do sistema público e os segmentos populares que demonstram maior apoio ao presidente nas pesquisas eleitorais.
Teodoro afirma que a preferência por Lula permanece especialmente expressiva entre mulheres e pessoas pretas e pardas. Entre as mulheres, ele menciona uma intenção de voto de 54% para Lula, contra cerca de 25% para Flávio. Entre as pessoas que recebem até 2 salários mínimos, a vantagem atribuída ao presidente chega a 30 pontos percentuais.
O autor também cita pesquisas realizadas em universidades brasileiras segundo as quais 75% da população não tem planos privados de saúde. Os outros 25%, afirma, possuem algum tipo de plano, com diferenças de qualidade e preço. Mesmo nesse grupo, o SUS continuaria presente em serviços como a oferta de medicamentos, a segurança dos alimentos e procedimentos de alta complexidade, incluindo transplantes de coração.
Políticas citadas no artigo
Para sustentar a relação entre os governos Lula e a expansão do SUS, Teodoro lista programas e políticas implantados ou ampliados nesses períodos. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), criado em 2003, no primeiro mandato de Lula, teria cobertura correspondente a 88,7% da população brasileira e seria responsável por cerca de 23,3 milhões de procedimentos por mês. O autor também registra que, em 2025, o governo federal ampliou o repasse de ambulâncias para centenas de municípios.
O Programa Farmácia Popular, segundo o artigo, alcança 65% da população brasileira e atende mais de 100 milhões de pessoas, sem distinção de renda. Já a Estratégia de Saúde da Família teria cobertura de cerca de 70% dos brasileiros, com presença em municípios rurais e grandes centros urbanos.
Na atenção a gestantes e bebês, o texto destaca a reestruturação da Rede Cegonha, com aumento de financiamento, construção de 36 maternidades e criação de 30 Centros de Parto Normal. O Programa Mais Médicos e o Programa Mais Especialistas também são mencionados entre as iniciativas dos governos Lula.
O artigo reconhece que os serviços precisam reduzir o tempo de espera, ampliar o número de profissionais e melhorar as instalações públicas. Ainda assim, Teodoro sustenta que o futuro do SUS estará ligado ao resultado das eleições de 2026. Ao comparar Lula com o candidato da família Bolsonaro, o autor afirma que o primeiro representa uma perspectiva de continuidade para o sistema, enquanto atribui ao segundo a defesa da entrega do SUS a empresários e menciona as 714 mil mortes brasileiras na pandemia de covid-19.
Ronaldo Teodoro é professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).



