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Ciência

Cães acompanham padrões de fala, mas não processam todos os sons como humanos

Experimento com cães e pessoas identificou sinais cerebrais ligados à separação de palavras em falas contínuas.

A atividade elétrica do cérebro de cães muda quando eles escutam sequências de sons organizadas como palavras. Um estudo da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, identificou nos animais sinais associados à capacidade de separar palavras em uma fala contínua, algo que até então havia sido observado apenas em humanos.

A pesquisa não indica que cães estejam próximos de falar nem que compreendam a linguagem da mesma forma que as pessoas. O interesse dos cientistas está em outro ponto: entender como esses animais encontram padrões e reconhecem palavras mesmo quando não há pausas indicando o início ou o fim de cada termo. Os resultados foram publicados na revista Science nesta quinta-feira (24).

Sons contínuos e padrões reconhecíveis

Em uma conversa, as palavras não costumam ser separadas por intervalos. Vogais e consoantes chegam ao cérebro como um fluxo único, e os ouvintes precisam identificar regularidades para distinguir uma palavra da seguinte. No estudo, os pesquisadores investigaram se os cães também poderiam realizar esse tipo de separação.

Participaram do experimento 20 pessoas e 20 cães de companhia. Todos ouviram sequências de sons apresentadas continuamente, sem pausas que revelassem onde cada palavra começava ou terminava.

Os cientistas organizaram os estímulos em três formatos. No primeiro, as consoantes apareciam em padrões recorrentes, funcionando como uma estrutura para as palavras. No segundo, essa função era desempenhada pelas vogais. O terceiro servia como controle: os sons eram distribuídos aleatoriamente, sem regularidade que pudesse ser reconhecida como uma palavra.

Não foram usados comandos ou palavras específicas. Os participantes ouviam balbucios compostos principalmente por consoantes ou por vogais. Para acompanhar as respostas do cérebro, a equipe utilizou eletroencefalografia, técnica que registra a atividade elétrica por meio de eletrodos posicionados no couro cabeludo.

O que apareceu nos exames

Os cães assimilaram com mais facilidade o ritmo das palavras estruturadas por consoantes. Além disso, cerca de 400 milissegundos depois do começo de cada palavra, humanos e cães apresentaram uma alteração específica na atividade elétrica cerebral. Esse intervalo corresponde à capacidade de dividir uma fala contínua em palavras individuais.

Os resultados também mostraram diferenças entre as espécies. As pessoas identificaram padrões tanto nas sequências estruturadas por consoantes quanto naquelas organizadas por vogais. Os cães, por outro lado, não apresentaram o mesmo resultado com as vogais. A sincronização entre o cérebro e o ritmo dos sons individuais da fala foi observada apenas nos humanos.

Uma capacidade que não dependeu do convívio inicial

A equipe comparou ainda animais que não passaram os primeiros meses de vida com humanos. Alguns haviam vivido nas ruas ou em abrigos. Mesmo assim, eles demonstraram a mesma preferência por palavras estruturadas a partir de consoantes apresentada pelos cães que tiveram um lar desde o início.

Esse resultado sugere que a preferência não surgiu necessariamente das primeiras experiências sociais. Os pesquisadores levantam a possibilidade de que os cães tenham se adaptado às características da fala. A exposição a determinados tipos de informação pode favorecer a identificação de regularidades dentro dela.

A descoberta permite investigar se algumas formas de processamento da fala, antes consideradas exclusivamente humanas, também podem surgir no cérebro de outras espécies. No caso dos cães, porém, a capacidade observada não significa compreensão da linguagem equivalente à humana: ela se refere à identificação de padrões e à segmentação de uma sequência contínua de sons.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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