SÃO PAULO — O Ministério da Fazenda lançará um programa para renegociar débitos de pessoas físicas, com foco nas dívidas antigas. A proposta prevê que o governo compre esses débitos com desconto, segundo o ministro Dario Durigan, que anunciou a iniciativa nesta sexta-feira em São Paulo ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A medida é apresentada como uma nova ação do governo federal diante do endividamento das famílias e dos juros reais elevados no país. Os detalhes sobre os critérios e as condições do novo programa não foram informados.
Endividamento das famílias
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), registrou que cerca de 82% dos lares estavam endividados em meados de 2026. O levantamento apontou que 29,8% das famílias tinham contas em atraso e que 12,3% dos entrevistados não tinham condições de quitar as dívidas.
O governo já havia lançado o Desenrola Brasil, encerrado em maio. O programa renegociou R$ 28,37 bilhões em dívidas de famílias brasileiras, que caíram para R$ 5,71 bilhões. Dados do Fundo Garantidor de Operações (FGO), porém, indicaram que três em cada dez operações de renegociação tiveram parcelas não pagas.
O FGO cobre a inadimplência das operações de crédito do programa. Nesse contexto, o governo passou a estudar a compra de débitos antigos.
O Desenrola Brasil era voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos e incluía dívidas de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos bancários em atraso. Os descontos chegavam a 90% do valor total, com juros limitados a 1,99% ao mês, prazo de 12 a 48 meses e parcela mínima de R$ 50,00. O limite renegociável era de até R$ 15 mil por beneficiário e por banco, com desnegativação automática para dívidas menores de até R$ 100.
Nesta semana, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a instituição está preocupada com ofertas de crédito consideradas agressivas ou predatórias. Segundo ele, consumidores podem avaliar apenas se a parcela cabe no orçamento, sem considerar o custo total e os juros. Galípolo defendeu mais transparência, conscientização e tempo para a análise antes da contratação de empréstimos e financiamentos.


