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Ciência

Exame mostra que cauda que imita aranha esconde ossos comuns em víbora

Tomografia analisou exemplar preservado e revelou que a aparência semelhante a uma aranha não se repete no esqueleto da cobra.

Exame mostra que cauda que imita aranha esconde ossos comuns em víbora

A víbora-cornuda-de-cauda-de-aranha consegue atrair pássaros ao movimentar a extremidade de sua cauda, que tem uma estrutura semelhante a um corpo arredondado com partes alongadas. Apesar dessa aparência especializada, um exame revelou que os ossos da região não têm características incomuns: as vértebras são semelhantes às encontradas em outras víboras.

A espécie, chamada cientificamente de Pseudocerastes urarachnoides, foi analisada por tomografia computadorizada por raios X. A técnica reúne milhares de imagens para formar uma representação tridimensional do interior de um objeto e permite examinar estruturas delicadas sem cortar ou danificar o espécime.

O exemplar que virou referência

O primeiro exemplar conhecido foi coletado em 1968 e levado para o Field Museum, em Chicago, nos Estados Unidos. Naquele momento, a estrutura na ponta da cauda chegou a ser considerada uma possível deformidade, como um tumor.

O mistério mudou de escala depois que outro animal com uma cauda semelhante foi encontrado em 2003. Três anos mais tarde, pesquisadores descreveram formalmente a espécie. O exemplar preservado no museu passou a ser o holótipo, isto é, o animal usado como referência para a espécie.

Quando o laboratório de tomografia computadorizada de raios X do Field Museum começou a funcionar, no fim de 2024, a víbora esteve entre os primeiros exemplares examinados. A investigação se concentrou especialmente nas vértebras da extremidade da cauda, porque jiboias-da-areia e jiboias-de-borracha também apresentam formatos incomuns nessa parte do corpo.

O que os ossos não revelam

As imagens indicaram que a peculiaridade está restrita à morfologia externa. Ao observar apenas o esqueleto, seria difícil deduzir que a cauda tem aparência de aranha ou que é movimentada para atrair aves, que acabam capturadas pela cobra.

O resultado chamou a atenção de Georgios Georgalis, professor da Academia Polonesa de Ciências e primeiro autor do estudo. Como paleontólogo, ele usa cobras atuais para tentar interpretar restos fósseis. Para ele, o caso mostra que a análise dos ossos pode não revelar todas as características externas e os comportamentos de um animal.

“não podemos ter 100% de certeza de como o animal realmente era”, afirmou Georgalis, em comunicado. A pesquisa aponta que espécies pré-históricas podem ter apresentado formas externas e comportamentos que não seriam identificados somente a partir do esqueleto.

A importância do exemplar também foi destacada por Sara Ruane, curadora associada de herpetologia e diretora dos Core Laboratories do Field Museum, coautora do estudo. Vídeos feitos por volta de 2008 registraram a víbora usando o apêndice semelhante a uma aranha para atrair pássaros. Os resultados reforçam ainda o valor de coleções de museus, já que animais preservados há décadas podem ser analisados com técnicas que não estavam disponíveis quando foram coletados.

Os resultados foram publicados em 10 de setembro na revista científica The Anatomical Record. Além de ajudar a compreender a cauda da víbora, o estudo pode servir de base para pesquisas sobre a evolução e o desenvolvimento dos tecidos presentes nessa estrutura.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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