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Ciência

Chimpanzés do Senegal passam ferramentas e orientam filhotes na busca por alimento

Registros mostram adultos entregando gravetos e frutos a jovens, além de conduzirem seus movimentos durante o aprendizado.

Chimpanzés do Senegal passam ferramentas e orientam filhotes na busca por alimento

Filhotes de chimpanzés receberam ajuda direta de indivíduos mais experientes para aprender a obter alimento em cenas registradas por câmeras no Senegal. Em um dos episódios, uma fêmea colocou um graveto em um formigueiro, levou a filha até a ferramenta e permitiu que ela retirasse o objeto com formigas presas nele.

O comportamento foi analisado por pesquisadores da Universidade de Barcelona, na Espanha, a partir de imagens feitas na estação biológica do Instituto Jane Goodall em Dindefelo. O estudo foi publicado em 15 de setembro na revista Frontiers in Psychology e trata de chimpanzés-ocidental (Pan troglodytes verus).

A equipe examinou 15 horas de gravações realizadas entre 2017 e 2025, em 14 locais nos quais os animais já tinham sido observados usando ferramentas. Os registros reuniram 33 episódios de transferência de objetos entre chimpanzés: 19 relacionados à captura de formigas, dez à coleta de algas e quatro à captura de cupins. As ferramentas eram entregues, em geral, a parentes próximos; em 30% das situações, a transferência ocorreu entre mãe e filhote.

Uma das gravações mostra Soukki e sua filha, Saïsaï. Depois de inserir um graveto no formigueiro, a mãe conduziu a filhote até o objeto. Saïsaï retirou o graveto e comeu as formigas que haviam ficado presas nele. Para R. Adriana Hernandez-Aguilar, da Universidade de Barcelona, “Conseguir registrar isso em vídeo é importante e foi muito surpreendente para nós”.

Os chimpanzés utilizam diferentes objetos para obter alimento, como folhas ou musgo transformados em esponjas, gravetos para capturar formigas e algas e lanças simples para caçar. A pesquisa aborda a questão de como essas capacidades são adquiridas: por observação, instrução direta ou descoberta individual.

Também foram avaliados 30 minutos de imagens feitas em 11 locais onde os animais quebram frutos de baobá contra pedras. Nesse caso, as pedras são consideradas uma “protoferramenta”, porque são usadas sem modificações e funcionam como uma espécie de bigorna.

Em uma das cenas, Féré juntou três frutos perto do filho, Fotti. Um macho jovem, provavelmente irmão mais velho do filhote, bateu um dos frutos contra pedras enquanto Fotti observava. Depois, guiou a mão do pequeno até outro fruto. Fotti tentou repetir o gesto sozinho e conseguiu abrir a casca após algumas tentativas.

Os pesquisadores afirmam que a transferência de ferramentas, a observação e a prática supervisionada podem facilitar o desenvolvimento dessas habilidades. “Encontramos evidências de que a transferência de ferramentas é uma forma de ensino”, explicou Andreu Sánchez-Megías, integrante da equipe. Os registros indicam, assim, que o aprendizado pode envolver a participação ativa de chimpanzés experientes, e não apenas a imitação ou a descoberta individual.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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