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Ciência

Farmácias ampliam oferta de produtos associados ao uso de canetas para emagrecer

Suplementos, fibras, probióticos e dermocosméticos ganham espaço diante dos efeitos associados à perda rápida de peso.

A expansão do uso de canetas para emagrecer está modificando o mix de produtos das farmácias. Suplementos proteicos, creatina, vitaminas, fibras, probióticos e dermocosméticos passaram a ser oferecidos como itens complementares ao tratamento, em um movimento informalmente chamado pelo varejo de “kit Mounjaro”.

Embora a finalidade principal dos medicamentos seja promover a perda de peso, sua ação interfere em mecanismos ligados ao apetite, à saciedade e ao funcionamento do sistema digestivo. Os hormônios GLP-1 e GIP retardam o esvaziamento do estômago e favorecem a sensação de satisfação com uma quantidade menor de comida. Com a redução da ingestão calórica, pode haver menor consumo de vitaminas, minerais, fibras e proteínas.

A perda de gordura também pode vir acompanhada de redução de massa muscular e queda de cabelo. Por isso, redes identificam aumento na procura por produtos nutricionais. Na Drogaria Araújo, as vendas de whey e de outros suplementos proteicos cresceram 53% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A creatina avançou 40%, enquanto as vitaminas tiveram alta de 20%.

Na Drogaria Iguatemi, as vendas de suplementos aumentaram 25% no primeiro semestre de 2026, em relação ao ano anterior. A participação da categoria no faturamento subiu de 8,87% em 2024 para 15,25% agora. A Panvel também aponta os suplementos entre os produtos que mais avançam, acima da média da rede.

Efeitos no intestino, na pele e no cabelo

As canetas também podem alterar os movimentos que conduzem os alimentos pelo sistema digestivo. Esse efeito pode provocar constipação ou diarreia, principalmente no início do tratamento. Na Araújo, a venda de produtos voltados à saúde intestinal, como fibras e probióticos, cresceu 20% em um ano.

A menor ingestão de alimentos pode reduzir também a quantidade de água obtida pela dieta, aumentando a necessidade de atenção à hidratação. Já a perda acelerada de peso pode deixar a pele mais flácida e, associada a possíveis carências nutricionais, favorecer a queda de cabelo.

Entre janeiro e agosto de 2026, as vendas de dermocosméticos relacionados à firmeza, à hidratação e à elasticidade da pele cresceram 35% na Araújo. Os produtos destinados à queda e ao fortalecimento capilar avançaram 24%.

Redes criam serviços para os consumidores

O aumento do número de itens comprados faz com que os consumidores das canetas tenham tíquete médio superior ao dos demais clientes na Drogaria Venancio, do Rio de Janeiro. A empresa relaciona esse resultado tanto ao preço dos medicamentos quanto à aquisição de produtos voltados a reduzir ou acompanhar seus efeitos.

As redes passaram a treinar equipes para responder às dúvidas dos consumidores e indicar produtos complementares quando isso for adequado, sem ultrapassar as atribuições de médicos e farmacêuticos. Na Venancio, está em desenvolvimento um programa de capacitação dos atendentes.

Na Drogaria Iguatemi, o serviço de fidelização Da4You funciona como um concierge. A proposta inclui esclarecer dúvidas sobre receitas, tratamentos e necessidades associadas, além de organizar a entrega dos medicamentos. O acompanhamento pode envolver contato com o médico para esclarecer questões sobre a prescrição e a continuidade do tratamento, afirma Leonardo Diniz, CEO da companhia.

Indústria acompanha a demanda

A procura também influencia os lançamentos da indústria. Em setembro, a Hypera Pharma lançou o Semavy, da Mantecorp, e entrou no mercado de GLP-1. A empresa criou ainda o Semavy Nutri, inicialmente com Nutri-Proteína e Nutri-Fibras.

Na Pierre Fabre, responsável por marcas como Avène, Darrow e Ducray, o segmento capilar está entre os que mais crescem em dermocosméticos. A Truss, por sua vez, relançou a linha Equilibrium Scalp, ampliando a proposta de cuidados com o couro cabeludo diante da procura por produtos para afinamento, queda e fortalecimento capilar.

Indicação depende de cada paciente

O chamado “kit Mounjaro” pode ser uma estratégia comercial, mas não corresponde a uma combinação padronizada para todas as pessoas. “Eu não usaria a ideia de uma cesta ou um combo de suplementos padrão para todos os pacientes”, afirma Kiraz Karraz, médico pós-graduado em endocrinologia.

A dermatologista Marcela Andrade relaciona parte dos casos de queda ao eflúvio telógeno, condição em que um estresse metabólico faz mais folículos entrarem antes do tempo na fase de repouso. O quadro tende a se manifestar dois ou três meses depois do fator desencadeante e, na maior parte das situações, é reversível.

Marcela relata aumento de pacientes com queixas de queda durante o uso de medicamentos análogos de GLP-1, mas afirma que não há indicação de usar vitaminas, colágeno ou produtos tópicos de forma indiscriminada como prevenção. Assim, a escolha dos itens que podem acompanhar o tratamento deve ser definida conforme as necessidades de cada paciente, com início no consultório.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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