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Ciência

Como o poraquê produz descargas elétricas de até 860 Volts

Vídeo mostra Jardel Araújo tocando um poraquê; espécie usa eletricidade para orientação, caça, defesa e comunicação.

Como o poraquê produz descargas elétricas de até 860 Volts
Foto: KoS/Wikimedia Commons

Um vídeo publicado no Instagram mostra o pescador Jardel Araújo tocando um poraquê e reagindo imediatamente à descarga produzida pelo animal. O registro ultrapassou 116 mil curtidas na rede social e expõe, na prática, uma característica central desses peixes: a capacidade de gerar eletricidade com órgãos especializados.

Os poraquês podem produzir descargas de até 860 Volts, o maior valor registrado entre as espécies. A intensidade, porém, varia conforme a situação. O animal também emite pulsos mais fracos, usados para perceber o ambiente e localizar possíveis presas em águas escuras ou turvas.

Um sistema elétrico no corpo

Conhecidos popularmente como enguias-elétricas, os poraquês não pertencem ao grupo das enguias verdadeiras. Eles fazem parte do gênero Electrophorus, vivem em águas doces da América do Sul, podem alcançar cerca de 2,5 metros de comprimento e pesar mais de 20 kg.

A ciência reconhece três espécies: Electrophorus electricus, Electrophorus varii e Electrophorus voltai. Os animais têm três órgãos elétricos — o principal, o de Hunter e o de Sachs —, que ocupam cerca de 80% do corpo.

Essas estruturas são formadas por eletrócitos, células modificadas organizadas em sequência. Quando recebem um comando do sistema nervoso, elas são ativadas quase ao mesmo tempo. Cada célula produz uma carga pequena, mas a soma das voltagens resulta em uma descarga mais potente.

Intensidade varia conforme o alvo

Um estudo de 2015 indica que o peixe consegue ajustar a força do choque ao tamanho e à condição da presa. Alvos pequenos ou já desacordados podem receber uma carga menor, enquanto presas maiores podem levar descargas mais intensas.

Os pulsos de alta voltagem são usados principalmente durante a caça e em situações de defesa. Uma sequência rápida pode provocar contrações involuntárias nos músculos da presa e dificultar a fuga. A eletricidade também participa da comunicação entre indivíduos.

Em seres humanos, o choque pode causar dor, contrações musculares intensas e perda momentânea do controle dos movimentos. Dentro da água, essa limitação pode dificultar a natação e aumentar o risco de afogamento. Por isso, o contato proposital com um poraquê não é recomendado, mesmo quando desperta curiosidade em vídeos como o de Jardel Araújo.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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