RIO DE JANEIRO — A Petrobras não sinalizou novos reajustes no preço do diesel vendido em suas refinarias após o governo federal anunciar a manutenção da subvenção de R$ 2,12 por litro por mais 30 dias. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a empresa vai aguardar o comportamento das cotações internacionais do petróleo antes de tomar novas decisões.
A subvenção é um desconto financiado pelo Tesouro para permitir que produtores e importadores comercializem o diesel por um preço menor. O mecanismo vem sendo usado pelo governo federal desde março para reduzir os efeitos econômicos da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Preços internos e mercado internacional
A decisão de manter o benefício foi anunciada pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, em Brasília. O valor reúne uma subvenção de R$ 1,12 por litro, que perderia a validade no sábado, e outra de R$ 1 por litro anunciada anteriormente.
Na semana passada, ao aderir ao novo desconto, a Petrobras aumentou em R$ 1 por litro os preços cobrados nas refinarias. A empresa tem aproveitado a adoção de subvenções para ajustar seus preços porque considera necessário preservar algum equilíbrio entre o mercado doméstico e as cotações externas.
Quando o diesel vendido no Brasil fica muito mais barato do que no exterior, a importação deixa de ser rentável para empresas privadas. Nessa situação, a Petrobras também pode ter prejuízo caso precise importar o combustível para complementar a oferta nacional. Por isso, um nível próximo da paridade é considerado importante tanto para garantir o abastecimento quanto para limitar perdas da estatal.
Magda disse que, há uma semana ou dez dias, a companhia estava confortável com o valor de R$ 2,12 por litro. A situação mudou quando o Brent chegou a US$ 108, mas o preço já havia recuado para abaixo de US$ 100. A executiva afirmou que a Petrobras não fará a conta diariamente e que a avaliação ocorre de 15 em 15 dias.
A presidente também destacou a volatilidade do petróleo. Segundo ela, declarações do governo dos Estados Unidos podem provocar altas ou baixas nas cotações, o que não permitiria à empresa identificar uma tendência e reagir todos os dias.
Crítica à política de paridade
Magda criticou a política de preços de paridade internacional, conhecida como PPI, adotada pela Petrobras, com mudanças na frequência dos reajustes, durante as gestões da companhia nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, de 2016 a 2022.
Na avaliação da executiva, reagir diariamente às cotações pode fazer a Petrobras perder participação no mercado. A política de alinhamento aos preços internacionais aumentou a presença de importadores privados, especialmente no diesel, cuja produção nacional não cobre todo o consumo.
A presidente afirmou que a estatal vendeu menos e perdeu participação no mercado naquele período. Para a atual conjuntura, disse que a Petrobras vai esperar a definição do patamar das cotações do barril antes de decidir novos movimentos.
Dependência de importações
A possibilidade de restrições dos Estados Unidos às exportações de diesel tornou a oferta internacional uma preocupação adicional. Magda também mencionou medidas de Rússia e China, mas minimizou a chance de o governo de Donald Trump adotar uma restrição desse tipo.
O Brasil importa em torno de 30% do diesel que consome. A Petrobras produz o equivalente a cerca de 70% da demanda, enquanto o restante é trazido do exterior pela própria companhia, por importadores privados e por distribuidoras.
A estatal afirma que pretende ampliar a produção nacional para alcançar a autossuficiência no combustível. O aumento da capacidade de refino, porém, é uma solução de longo prazo. No curto prazo, Magda disse não estar preocupada com o abastecimento.
A Petrobras já contratou integralmente as importações de diesel previstas para outubro, conforme reafirmado pela presidente. Caso os Estados Unidos adotem restrições, ela afirmou que a companhia poderia buscar mais produto em refinarias da Índia.
Dados da Abicom indicam que em torno de 80% do diesel importado pelo Brasil vêm dos Estados Unidos, enquanto outros 15% têm origem na Índia. Magda não detalhou o valor exato, mas estimou que aproximadamente metade do diesel importado pela Petrobras vem dos Estados Unidos.



