A fusão entre Afya e Yduqs deve criar uma empresa de educação superior com quase 1 milhão de alunos de graduação e receita líquida anualizada de R$ 9,4 bilhões. A operação também poderá gerar até R$ 2,2 bilhões em sinergias, com 80% previstos para os primeiros três anos.
A avaliação inicial dos investidores foi moderada. No começo do pregão, as ações da Yduqs subiam pouco mais de 1%, enquanto os papéis da Afya caíam quase 1%, por volta de 11h45. A nova companhia será negociada na B3, e a Afya deixará a Nasdaq.
Escala nacional e foco em medicina
Com a combinação, o grupo terá 176 campi distribuídos pelos 26 estados. Desse total, 51 serão dedicados à medicina, área em que a empresa oferecerá 5,8 mil vagas anuais. A XP estima que esse volume corresponda a 12% da capacidade total de vagas de medicina oferecida no Brasil.
Para o Itaú BBA, a transação une a atuação da Afya, concentrada em medicina, ao portfólio mais amplo de ensino superior da Yduqs. O banco avalia que a escala e a complementaridade entre as operações podem ampliar o valor da companhia combinada.
A XP, porém, aponta uma possível sobreposição regional que pode levar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a examinar a operação com mais profundidade. A análise identifica localidades em que a empresa resultante teria mais de 30% da capacidade de vagas de medicina. Entre os exemplos estão Ji-Paraná, com 100% de participação, Teresina, com 45%, e Rio de Janeiro, com 38%.
O analista Gustavo Tiseo classificou a operação como estrategicamente importante para o setor, citando a concorrência na área de medicina e as incertezas sobre o novo marco regulatório do ensino a distância. Um executivo do setor de educação afirmou que a união combina ganhos de escala com uma movimentação para impedir que ativos sejam adquiridos por concorrentes.
Controle e comando da companhia
A Bertelsmann, controladora atual da Afya, permanecerá no comando da empresa combinada, com 47,3% de participação. A família Esteves ficará com 7,6%, e a família Zaher, com 4,8%.
Kay Krafft, atual CEO da Bertelsmann Education, será o presidente da nova empresa. Virgilio Gibbon, que ocupa a presidência da Afya, assumirá como CEO do grupo. Rossano Marques continuará à frente da unidade de ensino superior, exceto a área de medicina.
“Esse movimento é algo que a Yduqs sempre buscou, que é a consolidação do mercado, com um parceiro perfeito”, afirmou Marques em conversa com investidores e analistas em 24 de setembro.
Antes da conclusão da operação, os acionistas da Yduqs deverão receber R$ 750 milhões em dividendos. A relação entre dívida líquida e Ebitda da empresa, atualmente em 1,6 vez, deverá recuar 0,4 ponto percentual e chegar a 1,2 vez após a conclusão da negociação.

