A cúpula do Brics terminou neste domingo (13) com uma defesa de regras para o comércio internacional, ao mesmo tempo em que Índia e China expuseram divergências sobre o desequilíbrio entre suas economias. O encontro de dois dias reuniu líderes do bloco, que também apelaram à cooperação e ao crescimento econômico global inclusivo.
Em uma declaração conjunta divulgada no sábado, os países reafirmaram apoio a um sistema comercial multilateral não discriminatório, aberto, equitativo, transparente, justo, inclusivo, previsível e baseado em regras, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) como centro. O posicionamento ocorreu menos de duas semanas antes da visita planejada do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington.
Xi pediu que os integrantes do Brics rejeitassem todas as formas de protecionismo e apoiassem o sistema comercial multilateral. A posição se relaciona à guerra tarifária conduzida pelo presidente americano, Donald Trump, desde seu retorno à Casa Branca em janeiro de 2025.
Divergências entre Índia e China
O governo indiano informou que o primeiro-ministro Narendra Modi e Xi discutiram, em uma reunião bilateral no sábado, a necessidade de tratar de preocupações dos dois países, entre elas o desequilíbrio estrutural no comércio. O déficit comercial da Índia com a China chegou a US$ 112 bilhões (R$ 570 bilhões) no ano fiscal de 2025-2026.
A participação de Xi marcou sua primeira visita à Índia desde 2019 e ocorreu durante uma reaproximação cautelosa entre as duas potências nucleares. As relações melhoraram gradualmente com a retomada de voos, vistos e contatos de alto nível, seis anos depois de um confronto militar mortal na fronteira disputada entre os dois países.
A viagem do presidente chinês terminou neste domingo, após o encerramento da cúpula. Ela também provocou protestos de dezenas de tibetanos em Nova Délhi, exilados como o Dalai Lama, que vive na Índia desde que fugiu da China em 1959.
Cooperação e expansão do bloco
Modi afirmou que os países do Brics representam metade da população mundial, 40% do PIB do planeta e mais de um quarto do comércio internacional. O grupo inclui Brasil, China, Rússia e Índia, além de outros integrantes incorporados ao longo do tempo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, como chefe da delegação brasileira. Também participaram das discussões o presidente russo, Vladimir Putin, e Xi.
Criado em 2009, o Brics reuniu inicialmente Brasil, Rússia, Índia, China e, posteriormente, África do Sul, fora de instituições dominadas pelos Estados Unidos e pelas potências ocidentais, como o G7. Desde então, incorporou, entre outros países, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
No sábado, os chefes de Estado e de Governo emitiram uma declaração conjunta sobre a guerra no Oriente Médio, instando as partes em conflito a exercerem máxima moderação. Putin defendeu uma nova ordem mundial multipolar mais justa, enquanto Xi afirmou que um mundo sem regras leva ao caos e à desordem.



