Pouco mais de três meses depois da privatização, a Copasa alterou sua estrutura de comando e colocou executivos ligados à Equatorial em posições centrais da companhia. Augusto Dantas assumiu a presidência, e Tinn Freire Amado passou a comandar o conselho de administração.
Marília Melo, que ocupava a presidência, continuará na empresa à frente da Diretoria de Relações Institucionais e Sustentabilidade. O novo conselho de administração terá nove integrantes, com Leonardo da Silva Lucas Tavares de Lima na vice-presidência.
A Equatorial desembolsou cerca de R$ 5,6 bilhões por 30% da Copasa na privatização realizada em junho deste ano. A operação foi a segunda maior desestatização do setor de saneamento no Brasil, movimentando R$ 8,4 bilhões ao considerar também os cerca de R$ 2,8 bilhões destinados aos demais investidores.
Executivos da Equatorial
Dantas é engenheiro eletricista formado pela PUC Minas e tem mais de 18 anos de trajetória no Grupo Equatorial. Foi CEO da Equatorial Maranhão e diretor na Equatorial Pará. Em 2021, assumiu a presidência da Companhia de Saneamento do Amapá (CSA), a primeira concessão de saneamento do grupo, e acumulou o comando da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA).
Amado é conselheiro do Grupo Equatorial e da Echoenergia e já integrou o conselho da Sabesp. Leonardo Lucas está há 21 anos na Equatorial. Desde 2019, ocupa as funções de diretor financeiro e de relações com investidores e, desde 2022, também responde pelas áreas de M&A e Estratégia.
A Equatorial não enfrentou concorrência na disputa pela Copasa. A Sabesp e um consórcio formado por sócios da Aegea eram inicialmente apontados como possíveis participantes, mas deixaram de disputar a operação ao longo do processo, que teve adiamentos no cronograma.
A empresa também foi a única candidata a investidor de referência da Sabesp, pela qual pagou R$ 6,9 bilhões por 15%. Com a aquisição de participação na Copasa, passou a ter presença nas empresas de saneamento dos dois estados mais populosos do País. Na Sabesp, o CEO é Carlos Piani, que teve passagem pela Equatorial.
Participação do Estado e metas da companhia
Depois da desestatização, a participação do Governo de Minas Gerais na Copasa caiu de 50% para 5%. O estado manteve, porém, uma golden share, ação especial que assegura determinados direitos mesmo sem o controle da empresa.
A Copasa opera em 636 municípios de Minas Gerais, alcançando cerca de 75% das cidades do estado. Entre os desafios da nova administração está o cumprimento das metas de universalização previstas no Novo Marco Legal do Saneamento.
A companhia informou que a chegada de Dantas representa uma nova etapa de gestão e apontou como prioridade a expansão das redes de água e esgotamento sanitário. O executivo afirmou: "Pretendemos imprimir uma gestão baseada no sentimento de dono, na meritocracia e no foco obstinado por resultados".
Mudanças na governança
As alterações no comando foram acompanhadas por mudanças no estatuto da Copasa. Em assembleia realizada na segunda-feira, 28 de setembro, os acionistas aprovaram novas regras relacionadas à golden share do Estado de Minas Gerais.
A ação especial, criada antes da privatização, já permitia ao estado vetar decisões específicas, como alterações no nome e na sede da companhia e mudanças no limite de direitos de voto. Com a reforma aprovada, Minas Gerais passou a poder eleger, em votação separada, um integrante do conselho de administração e um integrante do conselho fiscal, além de seu suplente. A destituição desses representantes dependerá do titular da golden share.
As alterações estatutárias eram necessárias para a rescisão antecipada do acordo de acionistas assinado em 11 de junho pelo Estado e pela Gerais Saneamento, empresa usada pela Equatorial na privatização. Também era necessário o transcurso de 90 dias desde a assinatura, prazo encerrado em 9 de setembro.
Em fato relevante divulgado na terça-feira, 29 de setembro, a Copasa informou que, após o cumprimento das condições, a Gerais Saneamento, controlada pelo Grupo Equatorial, comunicou ao estado o encerramento antecipado do acordo, com efeito imediato.
A companhia ressaltou que a rescisão não altera as regras previstas no estatuto nem as obrigações assumidas pelo investidor nos demais documentos relacionados à oferta que resultou na privatização.



