A busca por formação de patrimônio tem levado mais brasileiros a distribuir recursos entre diferentes tipos de investimento. Dados da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) mostram que o número de investidores individuais em renda variável passou de 5,4 milhões no fim de 2025 para 5,6 milhões no segundo trimestre de 2026, uma alta de 4%. Nesse intervalo, cerca de 1,7 milhão de pessoas fizeram ao menos uma operação mensal no mercado de ações.
A diversificação consiste em dividir o patrimônio entre classes distintas, como renda fixa, ações, fundos imobiliários, Tesouro Direto e ativos no exterior. A ideia é reduzir a dependência de um único investimento e, no caso da exposição internacional, evitar que toda a carteira fique vinculada ao desempenho de uma só economia.
Produtos e estratégia de longo prazo
O movimento também aparece em produtos específicos. Em 2025, os ETFs, fundos que acompanham índices, reuniram 668,4 mil investidores. Os BDRs, certificados de ações estrangeiras, chegaram a 980,9 mil investidores e registraram R$ 14,8 bilhões em custódia.
O engenheiro eletricista Lucas Villa Nova, de 25 anos, começou a investir em 2022, quando era estagiário. No início, destinava parte da bolsa de estágio para aplicações simples. Hoje, sua carteira é dividida em quatro classes, com cerca de 25% em cada uma: renda fixa, ações, fundos imobiliários e um grupo formado por ativos internacionais, fundos multimercado e uma pequena parcela de criptomoedas.
Com perfil moderado, Lucas aceita oscilações no curto prazo porque pretende manter os recursos investidos por mais tempo. “A expectativa de retorno é no longo prazo”, afirma. A estratégia está ligada também ao objetivo de construir uma aposentadoria com os próprios investimentos.
Para Cristiano Maschio, especialista em patrimônio global, mercados privados e diversificação internacional, um dos principais problemas de quem começa é buscar ganhos imediatos. A definição das prioridades deve vir antes da escolha dos ativos, porque ajuda a estabelecer o perfil de risco: conservador, moderado ou sofisticado.
Maschio ressalta que distribuir dinheiro entre fundos imobiliários, ações e renda fixa não elimina a concentração quando todos os ativos estão sujeitos à economia do mesmo país. Na avaliação dele, uma diversificação mais ampla envolve diferentes economias e moedas, com possibilidades como euro, ações dos Estados Unidos e investimentos no Uruguai.
Acesso, informação e cuidados
Lucas relata que aprendeu sobre investimentos por meio de vídeos na internet, mas alerta para promessas de enriquecimento rápido. Para quem está começando, ele considera possível fazer aportes em plataformas de bancos grandes, sem a necessidade imediata de buscar uma corretora mais robusta.
Maschio afirma que o investidor não precisa se restringir às alternativas oferecidas por bancos e cita ferramentas de inteligência artificial como apoio para analisar opções e estabelecer metas. A tecnologia, segundo ele, ampliou o acesso a informações e possibilidades de investimento em diferentes setores.
Os dois também destacam a importância de manter a calma durante as oscilações. Para Lucas, vender por desespero durante uma queda pode transformar uma variação temporária em perda. Ele recomenda não esperar o melhor momento para começar, mas rejeitar ofertas que prometam valorizações extraordinárias em pouco tempo.
A ampliação da carteira para outros países, porém, exige atenção às obrigações fiscais. Maschio afirma que os investimentos precisam ser declarados e que a movimentação financeira envolve prestação de contas aos órgãos legais. Assim, o planejamento não se limita à escolha dos ativos: inclui prazo, tolerância a riscos, acompanhamento da carteira e cumprimento das exigências fiscais.


