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Economia

Marcopolo projeta operação europeia de montagem final para 2027

Fabricante quer elevar participação da Europa nas exportações enquanto juros, frota envelhecida e mix de menor valor pressionam a rentabilidade no Brasil.

Marcopolo projeta operação europeia de montagem final para 2027

A Marcopolo pretende iniciar em 2027 uma operação europeia voltada à montagem final de ônibus, sem retomar a produção completa no continente. A unidade deverá instalar itens como vidros e poltronas em veículos fabricados no Brasil e exportados para a Europa. O local ainda não foi escolhido, e a empresa está prospectando alternativas.

A estratégia acompanha a retomada do mercado europeu após a pandemia da Covid-19. O plano é fazer com que Portugal, Espanha, Itália e França respondam por pelo menos 20% da receita de exportações da fabricante. Na Itália e na França, a Marcopolo trabalha com a Volvo; em Portugal e na Espanha, a parceria é com a Scania.

Parcerias com Volvo e Scania

Os acordos foram possíveis porque Volvo e Scania deixaram de produzir ônibus completos e passaram a se concentrar nos chassis. Com isso, fornecem a estrutura mecânica enquanto a empresa brasileira produz a carroceria. André Armaganijan, CEO da Marcopolo, disse que a oferta existente na Europa não cobre toda a demanda e que há pedidos com até dois anos de antecedência.

A companhia também terá um escritório próprio de representação, com base na Espanha, além de utilizar as redes comerciais das duas montadoras. Iniciada em 2026, a parceria já resultou na venda de 30 unidades do G8 Paradiso, modelo de ônibus rodoviário de um piso. Os veículos entram em produção no quarto trimestre e começam a ser entregues no início de 2027.

A montagem final na Europa deverá atender, principalmente, às exigências de homologação e ao uso de fornecedores locais. Para a Marcopolo, fazer esses serviços no continente pode reduzir custos. A empresa não prevê, porém, a reabertura de uma fábrica europeia como a que manteve em Coimbra, Portugal, até 2009. A operação foi encerrada naquele ano em razão da queda no volume de vendas e da concorrência.

Meta de expansão internacional

Atualmente, 60% da receita da Marcopolo vêm do Brasil e 40% do exterior. As exportações somam cerca de 2 mil unidades por ano, produzidas nas duas fábricas de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e na planta de São Mateus, no Espírito Santo. A companhia estima que 20% desse volume, ou 400 ônibus, possam ser destinados anualmente aos quatro países europeus.

Os principais destinos atuais das exportações são Peru, Argentina e Chile. Em 2025, a empresa produziu 15 mil unidades no mundo: 12,3 mil no Brasil e 2,7 mil no exterior. A expectativa da direção é que, em poucos anos, metade da receita venha do mercado estrangeiro.

A expansão será feita sem um investimento específico adicional anunciado. O planejamento é manter um capex anual próximo de R$ 350 milhões, destinado a linhas de produção, reformulação de fábricas e pesquisa e desenvolvimento.

Brasil limita ganho de margem

A atuação internacional é planejada enquanto o mercado brasileiro combina participação elevada e menor rentabilidade. A Marcopolo detém 50% do mercado, mas a demanda está concentrada em produtos de menor valor agregado, como micro-ônibus. A renovação das frotas públicas também perdeu ritmo, em parte pela dificuldade de caixa de operadores ligados a prefeituras e governos estaduais.

A idade média da frota no país passou de oito anos para 11 anos. Segundo Armaganijan, essa diferença indica espaço para renovação, mas a troca de veículos é adiada quando as cidades precisam priorizar o caixa das operações e adequar os custos dos sistemas, inclusive com subsídios às empresas de ônibus.

No segundo trimestre de 2026, a receita líquida cresceu 3% na comparação com o mesmo período de 2025 e chegou a R$ 2,37 bilhões. A margem Ebitda, entretanto, caiu de 17,3% para 14,3%. O Ebitda recuou 15%, de R$ 398,3 milhões para R$ 338,6 milhões entre abril e junho de 2026, enquanto o lucro líquido diminuiu 15,5%.

A empresa relaciona parte do desempenho ao maior peso das vendas de micro-ônibus para programas de transporte escolar e para o Ministério da Saúde. O programa Caminho na Escola, afirmou o CEO, foi precificado anteriormente, o que pressionou os custos. Já os segmentos rodoviário e urbano, considerados de maior rentabilidade, reduziram sua participação no ano.

Em setembro, analistas da XP rebaixaram a recomendação das ações da Marcopolo para neutra, citando visibilidade limitada para uma recuperação mais clara da lucratividade no curto prazo. No acumulado de 2026, POMO4 registra queda de 20%; em 12 meses, a desvalorização é de 40,8%. A empresa tem valor de mercado de R$ 5 bilhões.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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