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Ciência

Calçados podem alterar a arquitetura interna do tornozelo, mostra pesquisa

Tomografias indicam diferenças no osso trabecular de pessoas que usavam sapatos e de indivíduos que viviam sem calçados.

Calçados podem alterar a arquitetura interna do tornozelo, mostra pesquisa
Foto: Tim Evanson/Flickr

A forma como o tornozelo se organiza internamente pode variar conforme o uso habitual de calçados. É o que indica um estudo de pesquisadores da Universidade de Chicago, publicado em 8 de setembro na revista Journal of Anatomy, ao identificar diferenças no osso trabecular entre pessoas que usavam sapatos e indivíduos que viviam sem eles.

O osso trabecular, também chamado de osso esponjoso, é formado por pequenas hastes e lâminas. Como sua estrutura pode se remodelar ao longo da vida em resposta às forças aplicadas, ele é usado por cientistas, especialmente arqueólogos, para investigar como os humanos caminharam e utilizaram os pés e as pernas no passado.

O que foi comparado

A equipe analisou tomografias computadorizadas para produzir mapas tridimensionais do osso trabecular no tálus, a parte do tornozelo que conecta a perna ao pé. Ao todo, foram examinadas imagens dos membros inferiores de 56 humanos modernos.

A maior parte das imagens correspondia a adultos dos Estados Unidos que morreram a partir dos anos 2000 e usavam calçados. O conjunto também incluiu registros de pessoas que viveram em meados do século 19 sem utilizar sapatos: 13 habitantes das Ilhas Andaman, dois indivíduos do sul do continente africano e um de Aka, na África Central.

Os indivíduos que não usavam calçados apresentaram maior quantidade de osso trabecular na parte frontal do tornozelo. Nessa região, a posição está associada ao pé flexionado, como ocorre ao agachar ou escalar. As trabéculas também se distribuíam em uma variedade mais ampla de direções, o que sugere a ação de forças vindas de diferentes ângulos.

Entre os usuários frequentes de sapatos, os pesquisadores observaram volume geral maior de osso trabecular e maior concentração nas regiões inferior e superior. As hastes e placas tendiam ainda a se orientar de modo mais consistente em direções específicas.

O que a estrutura pode revelar sobre o passado

A orientação mais concentrada das estruturas nos tornozelos de quem usava calçados sugere que os sapatos podem restringir o movimento da articulação e conduzir as forças por um conjunto mais limitado de trajetórias. Uma possibilidade considerada pelos cientistas é que isso ocorra porque o calçado desloca a carga para a parte interna do tornozelo e mantém o pé mais estendido, sobretudo quando há salto.

A análise ajuda a delimitar as comparações entre tornozelos humanos atuais e fósseis de hominídeos. Ossos e pegadas indicam que, há pelo menos 4,2 milhões de anos, esses grupos apresentavam formas de caminhar, posições dos pés e níveis de atividade de escalada diferentes dos atuais.

Zewdie Tsegai, da Universidade de Chicago, e Hannah Farrell, da Universidade do Norte do Texas, investigaram o possível efeito dos calçados justamente porque as populações modernas não são equivalentes às primeiras espécies do gênero humano. A tecnologia e os hábitos cotidianos também podem ter influenciado a estrutura física.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que ainda são necessários estudos capazes de separar possíveis efeitos de causa e consequência relacionados ao tamanho do corpo, aos estilos de vida e à alteração fisiológica observada.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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