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Ciência

Revisão encontra diferenças no acesso de mulheres a tratamentos médicos

Análise de pesquisas identificou disparidades em cirurgias, transplantes, stents e controle da dor entre pacientes com as mesmas condições.

Revisão encontra diferenças no acesso de mulheres a tratamentos médicos

Pesquisadores da Universidade de St Andrews, na Escócia, vão investigar se sistemas de inteligência artificial generativa reproduzem diferenças de tratamento entre homens e mulheres. A preocupação é que essas ferramentas, treinadas com literatura científica e registros clínicos, ampliem padrões já presentes nos dados usados por elas.

A iniciativa decorre de uma revisão que encontrou disparidades no atendimento de pacientes com as mesmas condições de saúde. Os resultados foram publicados em setembro na revista PLOS One. Do conjunto inicial de 1.112 estudos, a equipe selecionou pesquisas que comparavam diretamente os cuidados oferecidos aos dois grupos. Entre 38 trabalhos baseados em registros de pacientes, 33 apontaram diferenças significativas.

Onde as diferenças apareceram

Em doenças cardíacas, mulheres tinham maior probabilidade de receber medicamentos. Homens, por outro lado, eram mais propensos a passar por cirurgia de revascularização do miocárdio, conhecida como ponte de safena, e pela colocação de stents, tubos metálicos em forma de malha que mantêm as artérias abertas. As mulheres também tinham menor probabilidade de receber estatinas.

O padrão se repetiu em outras áreas. Homens com Parkinson eram mais frequentemente encaminhados para estimulação cerebral profunda. Entre pacientes com insuficiência hepática, os homens tinham mais chances de receber transplante. Mulheres com doença renal que precisavam de diálise apresentavam menor probabilidade de receber um acesso permanente e permaneciam por mais tempo usando cateteres. Elas também recebiam menos opioides para o controle da dor.

A revisão não encontrou diferenças significativas nos tratamentos de homens e mulheres nos casos de acidente vascular cerebral (AVC) e diabetes. Na demência, as pacientes do sexo feminino tinham maior probabilidade de receber tratamento.

Hipóteses e limites

Quase nenhum dos estudos avaliados apontou diretrizes médicas que recomendassem tratamentos diferentes conforme o sexo. Para os pesquisadores, isso deixa em aberto se as diferenças refletem decisões clínicas justificadas ou desigualdades no atendimento.

“as descobertas servem de alerta para verificar se o tratamento está sendo oferecido com base em critérios clínicos, e não em suposições”, afirmou Andrew O'Malley, que co-liderou o estudo. Ele também citou pesquisas anteriores segundo as quais médicos atribuem com maior frequência sintomas de mulheres à ansiedade e cometem mais erros de diagnóstico entre pacientes do sexo feminino, mesmo quando os exames apresentam resultados positivos.

Uma possível explicação levantada pela equipe é a menor participação histórica das mulheres em ensaios clínicos. Muitas diretrizes foram desenvolvidas principalmente com dados obtidos de homens, embora os pesquisadores ressaltem que a causa das diferenças ainda não esteja totalmente esclarecida.

A revisão também identificou uma diferença na quantidade de pesquisas sobre o tema: 551 estudos analisaram desigualdades entre profissionais de saúde de diferentes sexos, enquanto apenas 41 avaliaram o que ocorre com os pacientes.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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