A Endeavor Catalyst, braço de venture capital da Endeavor, fechou seu quinto fundo com US$ 320 milhões captados. O valor superou a estimativa de US$ 300 milhões apresentada no começo de 2025, quando a captação foi iniciada. O anúncio foi feito na quarta-feira, 7 de outubro.
Com o novo fundo, a gestora passou a administrar mais de US$ 850 milhões. A estratégia é investir em empresas de alto crescimento, especialmente em mercados emergentes, que utilizem inteligência artificial para resolver problemas complexos. Nesse cenário, a Endeavor considera o Brasil bem posicionado para receber recursos.
Maria Teresa Fornea, managing director da Endeavor Brasil, afirmou que a inteligência artificial tornou viáveis soluções antes difíceis de desenvolver. Para ela, o país apresenta boas teses na aplicação da tecnologia a diferentes setores.
Fundo já começou a investir
O Fund V realizou 32 aportes em 30 empresas, totalizando US$ 55,7 milhões. Entre os investimentos iniciais estão a Replit, startup de vibe code, e a HappyRobot, plataforma de agentes de inteligência artificial. Os cheques da Endeavor ficam na casa dos US$ 2 milhões e são feitos em conjunto com outros fundos nas rodadas.
Até o fim do ano, a previsão é investir mais US$ 25 milhões a US$ 30 milhões globalmente. A atividade do fundo é relevante na Europa e na América Latina, enquanto as oportunidades no Sudeste Asiático estão aumentando.
Considerando os cinco fundos, até 22 de setembro a Endeavor Catalyst havia investido em 437 empresas de 44 mercados. Desse total, 83 companhias alcançaram avaliação de US$ 1 bilhão ou mais, e foram registradas 39 saídas.
Brasil amplia possibilidades além das fintechs
A Endeavor afirma que o Brasil reúne problemas complexos e de grande escala que podem ser enfrentados por uma nova geração de aplicações de inteligência artificial. O país abriga o maior escritório da organização no mundo e recebeu 47 investimentos ao longo de 26 anos, incluindo participações em empresas como Wellhub e iFood.
A tecnologia também amplia o conjunto de setores considerados promissores. Além das fintechs, que concentraram muitos aportes de fundos de venture capital nos últimos anos, saúde, segurança, educação, serviços e segmentos altamente regulados aparecem entre as áreas que podem ganhar investimentos.
Para Fornea, as fintechs continuam atrativas, mas a inteligência artificial tornou outras indústrias mais viáveis. A tecnologia também pode acelerar a expansão internacional das empresas, ao permitir estruturas mais leves e escaláveis.
Outro fator citado pela Endeavor é o chamado efeito multiplicador: empreendedores que construíram empresas com apoio da rede passam a investir em novos fundadores. No Fund V, empreendedores da Endeavor representam cerca de 30% dos investidores, considerando a quantidade de limited partners, e 20% do capital captado.



