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Economia

PF aponta contratos simulados e pagamentos ao ex-chefe de supervisão do BC

Relatório afirma que Belline Santana recebeu valores do Banco Master e criou grupo com Daniel Vorcaro para tratar de interesses do banco.

PF aponta contratos simulados e pagamentos ao ex-chefe de supervisão do BC

A Polícia Federal afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro usou contratos simulados de prestação de serviços para justificar pagamentos ilícitos a Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. Os dois mantiveram contato de 2023 até o fim de 2025, quando a relação se tornou pública.

As informações estão em relatório elaborado a partir de mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Segundo os investigadores, Santana prestava aconselhamento, revisava documentos e ajudava a tratar de assuntos relacionados às atribuições que tinha no Banco Central. Com o aumento da proximidade, o ex-servidor criou um grupo de WhatsApp com o banqueiro para “facilitar nossa interlocução”.

Mensagens e atuação junto ao Banco Master

Em abril de 2024, Santana marcou uma reunião presencial com Vorcaro para discutir uma “visão prospectiva e estratégica”. O encontro poderia ocorrer na sede do Banco Central, em Brasília, ou no Banco Master, também na mesma localidade, conforme a escolha do banqueiro.

Em 15 de abril de 2025, Santana perguntou se Vorcaro havia conseguido enviar uma minuta. O empresário respondeu que sim e que os dois estavam ajustando números. Mais tarde, às 16h, encaminhou ao ex-diretor um documento intitulado “Ofício Banco Master ao diretor de Organização do BC”.

A PF afirma que, em outubro de 2025, quando Vorcaro tentava negociar o Banco Master para evitar uma liquidação prevista para o mês seguinte, a comunicação entre os dois se intensificou. O relatório descreve a troca de mensagens e chamadas como parte de uma atuação conjunta em defesa dos interesses do banco.

Pagamentos e benefícios

De acordo com a investigação, Santana recebeu R$ 760 mil em outubro de 2024 por meio de uma prestação de serviços simulada para uma entidade de fachada. O contrato indicava a participação dele em um grupo responsável por um “estudo técnico, econômico e social focado na inserção de jovens no mercado financeiro”. As planilhas apreendidas também registram pagamentos de R$ 1 milhão e R$ 750 mil, entre outros valores.

O ex-servidor também teria recebido benefícios não financeiros. Em setembro do ano passado, ele e a mulher viajaram para Paris com despesas pagas pelo Banco Master, incluindo refeições em restaurantes caros.

Depois que o caso veio a público, Santana foi chamado a prestar esclarecimentos no Banco Central. No início deste ano, esteve na Procuradoria-Geral do Banco Central e afirmou que os valores recebidos desde 2023 correspondiam à elaboração de projetos sociais. Disse, porém, que não sabia que o dinheiro vinha de um banco, no caso o Master.

Em março deste ano, no mesmo processo que determinou a prisão de Vorcaro, a Justiça impôs a Santana proibição de acesso às dependências do Banco Central, de contato com pessoas investigadas na Operação Compliance Zero e de deixar a comarca onde mora. Também determinou a suspensão do exercício de função pública no Banco Central e o uso de monitoração eletrônica.

Santana não respondeu ao ser procurado por meio de seus advogados.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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