O Brasil deverá buscar uma redução gradual da dependência de fertilizantes importados, com a meta de chegar a 50% até 2050. A estratégia foi apresentada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante seminário da Esfera.
Atualmente, o país importa entre 83% a 90% dos fertilizantes que consome, apesar de estar entre os maiores produtores de alimentos do mundo. Para o ministro, diminuir essa exposição exige investimentos e tecnologia, e a autossuficiência não será alcançada "do dia para a noite". A expectativa é que os efeitos da redução da dependência comecem a aparecer já nos próximos cinco anos.
Relações abertas e segurança de abastecimento
Elias Rosa defendeu a chamada "diplomacia de neutralidade" como forma de preservar canais de cooperação e fornecimento em cadeias estratégicas. A proposta prevê que o Brasil mantenha relações políticas e geopolíticas com todos os parceiros possíveis, sem restringir contatos por alinhamentos políticos.
Na avaliação do ministro, uma política externa limitada poderia ampliar a exposição do país a interrupções na oferta e à volatilidade dos preços. Ele destacou a necessidade de manter interlocução tanto com produtores do Oriente Médio, região que classificou como sensível a conflitos, quanto com a Rússia, considerada uma parceira tradicional do Brasil no setor.
O ministro também defendeu estoques estratégicos para reduzir os riscos de interrupção nas cadeias globais. Segundo ele, o governo já mantém reservas e realiza investimentos para assegurar o abastecimento durante períodos de entressafra.
Desde 2023, a política industrial passou a incluir a agroindústria como missão prioritária, com ações voltadas aos fertilizantes. Elias Rosa também citou a aprovação, pelo Congresso, de uma política nacional para o setor.



