O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, 14, que a redução dos juros depende de um compromisso fiscal permanente, da revisão de benefícios tributários ineficientes e do combate a privilégios no setor público e no empresariado. Ele participou remotamente do Seminário Brasil Hoje, promovido pelo Esfera Brasil.
Durigan disse que o Orçamento de 2027 prevê o primeiro superávit primário de uma série que deverá ser repetida nos anos seguintes. Para o ministro, a organização das contas públicas pode contribuir para a queda das taxas de juros e para a definição de um projeto de desenvolvimento nacional.
“O que devemos esperar para o futuro é um cenário fiscal mais organizado”, afirmou Durigan. Ele acrescentou que a transparência na apresentação dos caminhos para as contas públicas tende a favorecer juros menores e uma atuação combinada entre Estado e mercado.
Na avaliação do ministro, o Estado deve realizar investimentos nos setores estratégicos quando não houver interesse suficiente do mercado. Esses aportes, segundo ele, podem ajudar a reduzir os juros ao estabelecer uma cooperação entre as esferas pública e privada.
Pressões externas
Durigan também relacionou o custo do financiamento das dívidas soberanas ao ambiente internacional. Ele citou Estados Unidos, Reino Unido e Japão, que estariam pagando juros para renovar suas dívidas em níveis não observados há muitos anos, em meio a incertezas e pressões inflacionárias.
O ministro afirmou que a guerra comercial e as decisões de bancos centrais estrangeiros estão fora do controle do governo brasileiro. Ainda assim, defendeu que o país fortaleça sua credibilidade com um ajuste contínuo e transparente.
Para Durigan, racionalizar o Estado e enfrentar privilégios devem fazer parte da atuação do governo e da equipe econômica, tanto no setor público quanto entre empresários. A combinação dessas medidas com o fortalecimento da economia, disse, é necessária para criar condições para juros mais baixos.


