O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou nesta sexta-feira (4) que a redução dos juros deverá ser o principal legado de um possível novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, a queda depende de um compromisso mais rigoroso com a consolidação fiscal, sinal que, segundo Moretti, já começou a ser transmitido pelo Orçamento de 2027.
Moretti disse que os juros elevados não têm uma única causa, mas avaliou que o componente fiscal é relevante e será enfrentado. A estratégia, afirmou, deverá incluir a desaceleração das despesas obrigatórias e a manutenção de um processo de controle dos gastos.
“É importante que se diga: o orçamento público precisa preservar despesas que são essenciais”, afirmou o ministro, ao defender que a política fiscal mantenha ações voltadas à redução da desigualdade e da pobreza.
Ajuste com receitas e despesas
O ministro também mencionou a possibilidade de novas medidas de ajuste fiscal, tanto pelo lado das receitas quanto pelo das despesas. Essas ações poderiam ser adotadas para garantir o cumprimento do centro da meta de resultado primário dos próximos anos.
Na avaliação de Moretti, combinar os dois tipos de medida permitiria distribuir o esforço sem concentrar seus efeitos sobre a população mais pobre. Nesse desenho, o orçamento preservaria despesas consideradas essenciais, enquanto os mais ricos seriam incluídos no Imposto de Renda, como parte de uma mudança para tornar o sistema tributário mais justo.
Moretti afirmou ainda que o arcabouço fiscal foi importante para controlar as despesas e que esse processo está sendo intensificado. Ele defendeu que o próximo mandato dedique atenção especial à trajetória dos gastos obrigatórios.
O ministro também disse que Luiz Inácio Lula da Silva transmitiu aos banqueiros um compromisso com essa agenda durante um jantar no Palácio da Alvorada no início desta semana. Para Moretti, o sinal fiscal será decisivo para enfrentar os juros altos, embora não seja o único fator relacionado a eles.



