Países do Golfo Pérsico adiaram a reunião com o Irã que estava prevista para esta segunda-feira (14), sem anunciar uma nova data. O encontro tinha como objetivo discutir formas de normalizar o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz, bloqueado desde o início da guerra de Estados Unidos e Israel contra Teerã, em fevereiro de 2026.
A reunião seria sediada por Omã e teria representantes do Irã, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Catar, do Kwait, do Bahrein e de Omã. Durante a madrugada, o ministro das Relações Exteriores omanense, Sayyid Badr Albusaidi, informou que o adiamento ocorreu “em prol do consenso”. O governo iraniano afirmou que a decisão foi tomada depois de um pedido da Arábia Saudita.
Enquanto o encontro era postergado, Teerã divulgou uma relação com 77 navios que, segundo o governo iraniano, violaram os protocolos para operar no estreito. Essas embarcações poderão sofrer restrições em passagens futuras, incluindo multas, detenção ou confisco. Navios que ajudassem outras embarcações em transferências de carga também poderiam ser atingidos pelas medidas.
Os houthis, grupo alinhado ao Irã, afirmaram ter lançado dezenas de mísseis e drones contra uma base aérea militar saudita em Khamis Mushait, perto da fronteira com o Iêmen. Segundo o grupo, a ofensiva atingiu hangares, sistemas de radar, pistas de decolagem e depósitos de munição e foi uma retaliação a centenas de ataques aéreos sauditas contra o território iemenita nos últimos dias.
A Arábia Saudita emitiu alertas de emergência em Khamis Mushait e em outras três cidades do sul que já haviam sido alvo de ataques houthis. Na semana passada, o grupo tomou uma ilha na foz do Mar Vermelho, após uma ofensiva iniciada no Iêmen. Também houve um ataque atribuído por Riade a combatentes iraquianos apoiados pelo Irã contra o oleoduto leste-oeste, usado para transportar a produção saudita de petróleo até a exportação.
Efeito sobre o petróleo
Os preços do petróleo bruto subiram mais de 3% nesta segunda-feira. Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel no varejo ultrapassou US$ 6,23 por galão, atingindo um novo recorde histórico.
Operadores do mercado estimam que a interrupção do oleoduto saudita possa reduzir em até 4% o abastecimento global de petróleo se a estrutura não for reaberta nos próximos dias. Imagens de satélite mostram trechos danificados por incêndios, mas Riade não informou quanto tempo o oleoduto permanecerá fechado.


