O valor da produção agrícola brasileira alcançou R$ 927,2 bilhões em 2025, alta nominal de 18,4% em relação a 2024. Os dados fazem parte da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas também bateu recorde, com 345,4 milhões de toneladas, crescimento de 18,2% e acréscimo de 53,4 milhões de toneladas. Soja e milho responderam juntas por 88,7% dos grãos produzidos no país e foram os principais fatores para o resultado.
A área plantada chegou a 101,3 milhões de hectares, aumento de 4,2% na comparação anual. O desempenho ocorreu após um ano afetado pelo El Niño, fenômeno associado à falta de chuvas em algumas regiões brasileiras e ao excesso de precipitações no Rio Grande do Sul.
O El Niño está presente em 2026. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estima probabilidade superior a 90% de que o fenômeno alcance intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026 e 2027.
Soja, milho e café
A soja continuou como o principal produto agrícola do país, com 34% do valor total. A produção chegou a 165,3 milhões de toneladas, alta de 14,4% sobre 2024. O resultado combinou aumento de 3,7% na área colhida e avanço de 10,3% na produtividade.
O milho teve produção recorde de 141,2 milhões de toneladas, crescimento de 23,1%. A segunda safra respondeu por 115,4 milhões de toneladas. O valor gerado pelo produto aumentou 38,9%, levando-o à segunda posição entre as culturas agrícolas, à frente da cana-de-açúcar.
No café, a produção cresceu 3%, para 3,4 milhões de toneladas, mas o valor avançou 44,7% e atingiu R$ 100 bilhões, em razão da valorização dos preços no mercado internacional. Já o arroz teve aumento de 18,6% na produção, para 12,6 milhões de toneladas, mas o valor caiu 12% devido à redução dos preços.
Mudança na liderança regional
O Centro-Oeste liderou o valor da produção agrícola regional, com R$ 288 bilhões e crescimento de 31,8%. A região superou o Sudeste, que havia ocupado a primeira posição em 2024, por uma diferença de R$ 17 bilhões. Soja, milho e algodão impulsionaram o Centro-Oeste, enquanto a queda no valor da laranja afetou o resultado do Sudeste.
Mato Grosso manteve a liderança entre os estados, com 17,9% do valor nacional e crescimento de 37,1% sobre 2024. São Paulo ficou na sequência. Entre os municípios, Sapezal (MT) ocupou o primeiro lugar, com R$ 8,6 bilhões, alta de 46,6%. São Desidério (BA) ficou em segundo, com R$ 8,2 bilhões, seguido por Sorriso (MT). Os dez municípios líderes somaram R$ 65,9 bilhões, equivalentes a 7,1% do total nacional.



