A Quadrante pretende ampliar sua presença no mercado brasileiro por meio de novos contratos e possíveis aquisições, enquanto assume a função de engenharia do proprietário no projeto do Túnel Santos-Guarujá, estimado em R$ 6,8 bilhões. A empresa portuguesa foi contratada pela concessionária TSG para prestar serviços técnicos e de engenharia, mas esclareceu que não integra diretamente o consórcio responsável pelo empreendimento.
A TSG tem o grupo Mota-Engil entre seus acionistas. A empresa portuguesa venceu, em setembro de 2025, o leilão da parceria público-privada (PPP) para construir e operar a ligação entre Santos e Guarujá.
Expansão por contratos e aquisições
Presente no Brasil desde 2011, a Quadrante estruturou sua operação local a partir de 2020 e participa atualmente de cerca de 50 projetos no país. Rodovias representam entre 40% a 50% do faturamento, mas a companhia também atua em ferrovias, aeroportos, saneamento, energia e data centers.
O grupo está presente em 14 países e considera o Brasil um dos mercados prioritários. Pedro Moniz, CEO da Quadrante no Brasil e no Chile, afirmou que a empresa analisa tanto o crescimento por novos negócios quanto a compra de companhias da área. Em 2023, o grupo adquiriu a Ambconsult, especializada em projetos de engenharia para tratamento e disposição de resíduos sólidos. Há conversas em andamento para novas transações.
A expansão também contempla outros países da América Latina, onde a Quadrante já está presente em Peru, Equador, Colômbia, Chile e México. No Brasil, a companhia identifica oportunidades em segmentos que vêm recebendo investimentos, como data centers. A empresa já presta serviços de engenharia para esse setor e espera que o Redata, regime de incentivos fiscais sancionado nesta semana, amplie sua carteira.
O papel no túnel
No projeto Santos-Guarujá, a Quadrante atua como Owner’s Engineer, ou Engenharia do Proprietário. Seu trabalho começou no início do ano e envolve o acompanhamento da engenharia do túnel e, posteriormente, a supervisão da execução da obra. A empresa não participa da construção nem elabora o projeto executivo.
“Seremos os olhos de engenharia pelo lado da concessionária”, disse Moniz. Segundo o executivo, esse é o maior projeto já assumido pela companhia no Brasil.
As obras estão previstas para começar em 2027, com conclusão e testes operacionais em 2030. A operação comercial deve começar em 2031. O túnel terá 1,5 quilômetro de extensão, sendo 870 metros imersos sob o canal do estuário de Santos, e será o primeiro túnel imerso do Brasil.
A estrutura será composta por módulos de concreto construídos fora do local da travessia, transportados até o canal e submersos até a posição definitiva. O projeto é discutido há mais de um século e tem como objetivos reduzir o tempo de travessia entre as cidades e melhorar a mobilidade e a logística no entorno do Porto de Santos.
Parceria entre empresas portuguesas
Quadrante e Mota-Engil trabalham juntas praticamente desde a fundação da empresa de engenharia, em 1998, e já participaram de projetos em diferentes países. Para Moniz, a cooperação combina a capacidade técnica da Quadrante com a capacidade de execução da Mota-Engil.
O executivo também relaciona a presença de grupos internacionais no Brasil à evolução da estruturação e da regulamentação dos projetos de infraestrutura. Na avaliação dele, empresas estrangeiras tendem a entrar no mercado quando encontram projetos rentáveis, estáveis e bem modelados.



