O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manteve para esta terça-feira a sessão que dará início à análise da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Nesse modelo, são seis dias de trabalho para um de folga.
O calendário prevê sessões de discussão na terça, quarta e quinta-feira. Pelo regimento do Congresso, uma PEC precisa passar por cinco sessões de debates antes de ser votada. Esse prazo pode ser reduzido caso haja acordo entre os senadores, mas ainda não está definido se a votação ocorrerá antes do segundo turno da eleição presidencial.
Pressão por adiamento
Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados defendem que a proposta só seja discutida depois da eleição. O setor produtivo também pressiona para que o debate seja adiado. O PL trabalha nessa direção, embora Alcolumbre tenha decidido manter o cronograma estabelecido antes do primeiro turno.
A proposta é uma das principais bandeiras do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que enfrentará Flávio Bolsonaro no segundo turno. O presidenciável terminou o primeiro turno em primeiro lugar, enquanto o PL saiu da votação como o maior partido do Senado.
A partir do ano que vem, a legenda terá 28 senadores, o maior número da Casa e mais de um terço do Senado. Embora os novos parlamentares só tomem posse em fevereiro do ano que vem, o tamanho da bancada já influencia as articulações para a eleição da presidência do Senado.
Para que uma PEC seja aprovada, são necessários 49 votos em dois turnos de votação. A quantidade de apoios exigida e a pressão pelo adiamento mantêm a possibilidade de mudança no calendário.
Lula se aproximou dos presidentes da Câmara e do Senado durante o período eleitoral. Hugo Motta (Republicanos-PB), que articulou a aprovação do fim da escala 6x1 pelos deputados em março, fez campanha para o petista. Alcolumbre não repetiu o gesto, mas se aproximou de Lula e criticou Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Nos últimos meses, os dois também se reconciliaram após o afastamento provocado pela rejeição, no Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).



