A Small Batches reorganizou sua estrutura depois de uma disputa judicial entre o controlador e CEO Luiz Paulo Foggetti e 41 investidores. Foggetti deixou a gestão no fim de 2025 e saiu do quadro de sócios no início deste ano. Parte dos investidores assumiu sua participação e passou a controlar a holding, que reúne a APTK Spirits, de drinks engarrafados, e a Ice4Pros, especializada em gelos de coquetelaria.
Rodrigo Carvalho assumiu a condução da reestruturação em março deste ano. Aos 35 anos, ele reúne experiências na Ambev e na Heineken e foi empreendedor à frente da 7mares Branding e da Barin, startup de drinks artesanais em lata e, posteriormente, engarrafados.
A Barin, criada em 2020, havia captado R$ 1,5 milhão quando um incêndio na fábrica terceirizada interrompeu sua expansão. Carvalho manteve o negócio ativo por quatro anos, mas decidiu congelar o projeto. Depois, foi convidado pelos investidores da Small Batches para assumir a operação. A Barin acabou incorporada ao portfólio da holding, enquanto o bartender Alê D’Agostino voltou à direção criativa do grupo.
“Todos na empresa ficaram bastante machucados e ainda temos um passivo grande para lidar”, afirmou Carvalho. O executivo disse que pretende concentrar esforços no futuro da companhia, em vez de permanecer voltado aos conflitos anteriores.
Aporte e redução da estrutura
Os 41 investidores deram um voto de confiança ao novo comando com um aporte de R$ 4 milhões, dividido em duas tranches. Parte dos recursos será usada para equacionar dívidas, muitas delas tributárias, deixadas pela gestão anterior. A situação financeira era um dos principais pontos de divergência entre os sócios e ainda apresenta novas pendências.
A Infinity ficou responsável pelos passivos e pelas demandas financeiras. A empresa havia sido nomeada administradora judicial durante a disputa e deve permanecer, a princípio, até o fim do ano, como consultora da Small Batches. Segundo Carvalho, metade do aporte foi reservada para eventuais problemas de caixa e a outra metade será destinada à expansão da operação.
Desde que assumiu, Carvalho reduziu a equipe de cerca de 90 profissionais para aproximadamente 50. O plano é chegar a, no máximo, 30 pessoas, especialmente no C-Level. Na Ice4Pros, a produção foi concentrada na capital paulista, depois de ser distribuída entre São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. O tempo de produção caiu de cinco para dois dias.
APTK reduz portfólio e redefine marcas
A APTK reduziu seu portfólio de 240 para cerca de 15 SKUs. A empresa pretende manter esse volume e fazer lançamentos sazonais, incluindo produtos sem álcool e funcionais, previstos para 2026.
A marca também negocia suas primeiras exportações. A Itália é apontada como destino mais provável, enquanto a Espanha pode integrar a operação. Internamente, a APTK será posicionada no segmento ultra premium, com vendas nas lojas e no site reformulado da marca.
A Barin ocupará o espaço premium comercializado no mainstream, por meio de distribuidores, no off trade e em marketplaces. A marca já estreou na Amazon e na Shopper. Carvalho a definiu como a marca de combate do grupo, voltada à geração de volume.
A separação dos canais busca reduzir conflitos com franqueados da APTK. Os produtos da marca eram vendidos fora da rede própria, em alguns casos por preços mais baixos. Depois de chegar a 20 lojas, entre unidades próprias e franquias, a APTK tem hoje cinco pontos de venda. A meta é voltar a duas dezenas em um ano.
O novo modelo prioriza quiosques e projetos com aporte inicial entre R$ 50 mil e R$ 150 mil. Até o fim do ano, a rede deve ganhar duas unidades na região Sul.
Ice4Pros ganha prioridade
A Ice4Pros passou a ser tratada como a principal empresa da holding. Antes sem equipe comercial e sem prospecção ativa, a companhia crescia de forma orgânica. Agora, o time comercial do grupo também trabalha para a marca, que acumulou, em seis meses, uma base de 3 mil compradores.
A empresa ainda conversa com grandes marcas e distribuidores de bebidas para ampliar as vendas. Carvalho afirma que a Ice4Pros, antes vista como uma operação secundária, passou a ocupar o centro da estratégia por sua capacidade de gerar receita enquanto a reformulação da APTK ainda precisa produzir efeitos no balanço.
A nova fase inclui também mudanças na relação com os investidores. Foram criados comitês com reuniões periódicas e participação dos sócios em áreas como financeiro, marketing e operações industriais. A holding trabalha ainda na formalização de um conselho de administração, com o objetivo de estruturar a governança e manter os investidores mais próximos do cotidiano da operação.



