O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou o encerramento da greve dos trabalhadores dos Correios a partir de sexta-feira e estabeleceu reajuste salarial de 4,09%, calculado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com efeito retroativo a 1º de agosto. O mesmo percentual será aplicado a benefícios vinculados aos salários, como vale-refeição e bolsa-creche.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira no julgamento de um dissídio coletivo apresentado pela direção dos Correios. O tribunal rejeitou o pedido para declarar a greve abusiva e também não aplicou multa às entidades representativas dos trabalhadores pela falta de manutenção de 80% do efetivo durante a paralisação. Os dias parados não serão descontados e poderão ser compensados.
Como parte do julgamento, o TST também acolheu uma mudança defendida pela empresa no plano de saúde. Os Correios deixarão de ser os mantenedores do benefício, sem assumir integralmente os riscos do modelo. Até a definição de uma alternativa, porém, permanecem em vigor as regras atuais.
Em documento encaminhado ao tribunal na sexta-feira, a direção dos Correios afirmou que a falta de pessoal estava afetando a operação. “A insuficiência de pessoal em unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e suporte compromete elos interdependentes da cadeia postal”, declarou a empresa.
O julgamento havia começado na segunda-feira e foi interrompido para que os representantes dos trabalhadores se manifestassem sobre uma nova reclamação apresentada pelos Correios.
Com o término da greve, a empresa ainda aguarda uma decisão sobre um empréstimo de R$ 7 bilhões concedido por um grupo de bancos, com garantia da União. No final do ano passado, os Correios haviam contratado outro financiamento, de R$ 12 bilhões e nas mesmas condições, para quitar dívidas atrasadas e regularizar a operação.


