O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) arquivou nesta sexta-feira (25), por 5 votos a 4, o pedido para investigar a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em processos relacionados ao Banco Master. O colegiado também rejeitou, por unanimidade, o afastamento de Gonet dos casos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão sobre o arquivamento foi definida no último voto. A votação estava empatada em 4 a 4 quando Nicolao Dino, vice-presidente do conselho, acompanhou o relator, Francisco Sanseverino, e decidiu pelo encerramento do procedimento. Dino presidiu a sessão porque Gonet estava impedido de participar.
Sanseverino afirmou que não havia elementos mínimos para iniciar uma investigação. Entre os pontos destacados pelo relator estão a ausência de mensagens diretas entre Gonet e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e ex-dono do Banco Master, e o fato de o contato do procurador-geral não aparecer no celular do empresário.
A posição contrária ao arquivamento foi apresentada por Janice Ascari. Ela defendeu que outro integrante do MPF fosse designado para conduzir uma apuração preliminar. Samantha Chantal Dobrowolski, José Adônis Callou de Araújo Sá e Ana Borges Coêlho Santos acompanharam a divergência. Os quatro votaram pelo aprofundamento da análise sobre a conduta de Gonet.
Além de Sanseverino e Dino, votaram pelo arquivamento Celso de Albuquerque Silva, Alexandre Camanho de Assis e Hindenburgo Chateaubriand Pereira Diniz Filho. Os nove integrantes que participaram da votação se posicionaram contra o afastamento do procurador-geral dos processos no STF.
O procedimento havia sido aberto depois da divulgação, pela Polícia Federal, de mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Gonet é mencionado no material, que aponta o advogado Ciro Soares, que já atuou para o banco, como intermediário dos contatos entre os dois. Também foi localizada uma foto de Gonet ao lado de Vorcaro em um evento em Londres, em abril de 2024, patrocinado pelo Banco Master. Gonet disse que não tinha relação de proximidade com o ex-banqueiro e classificou o contato como “brevíssimo e banal”.



