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Ato na sede da Fapesp cobra reversão de mudanças em bolsas internacionais

Manifestantes criticam novas exigências para estágios no exterior e pedem transparência sobre o orçamento da fundação paulista.

Ato na sede da Fapesp cobra reversão de mudanças em bolsas internacionais

Estudantes e pesquisadores protestaram no início da tarde desta sexta-feira (4) diante da sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na Lapa, zona oeste da capital paulista. O grupo pediu a revogação das novas regras da Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (Bepe) e mais transparência na execução orçamentária da instituição.

A mobilização durou cerca de duas horas e reuniu pesquisadores em frente ao prédio administrativo. Ídris Paes, estudante da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e diretor do DCE da USP, afirmou que a fundação não recebeu representantes do movimento. Para ele, a principal reivindicação continua sendo a anulação das mudanças. “Consideramos insuficientes os comunicados da Fapesp essa semana”, disse Paes.

As alterações foram anunciadas pela Fapesp em 26 de agosto e começaram a valer na última terça-feira (1º). Entre as medidas está o fim do fluxo contínuo para bolsistas de Iniciação Científica (IC) e de mestrado. Esses pesquisadores passam a depender de editais e chamadas específicas, publicados periodicamente, para disputar estágios internacionais.

O regulamento também reduziu de 12 para 6 meses o período inicial máximo no exterior para bolsistas de doutorado direto, doutorado e pós-doutorado. Uma extensão por mais seis meses dependerá de análise técnica e justificativa excepcional. Além disso, pesquisadores de pós-doutorado deixaram de ter direito a receber cerca de 50% da bolsa nacional durante a permanência fora do país, o que representa uma redução mensal de R$ 6.285.

Reação dos pesquisadores

Tayná Moraes, estudante de IC da USP e bolsista da Fapesp, tem 20 anos e planejava pedir a prorrogação de sua bolsa nacional para apresentar uma proposta de estágio internacional no mesmo dia em que as normas entraram em vigor. Ela classificou a decisão como “um completo desrespeito com os pesquisadores, que dedicam meses ao planejamento de seus projetos de pesquisa científica”.

Segundo Moraes, estudantes de pós-graduação de seu laboratório que planejavam pesquisas de um ano fora do país tiveram de adaptar os cronogramas ao limite de seis meses. Ela afirmou que a redução compromete a qualidade final das investigações.

A versão inicial do regulamento excluía graduação e mestrado das modalidades de intercâmbio. Após repercussão negativa, a Fapesp recuou parcialmente na segunda-feira (31), permitindo a participação por meio de chamadas específicas.

Em comunicado do Conselho Técnico-Administrativo (CTA), publicado na terça-feira (1º), a fundação afirmou que as mudanças não são cortes orçamentários, mas “ajustes pontuais, tecnicamente necessários” para preservar o equilíbrio financeiro no longo prazo.

A Fapesp informou que bolsas individuais consumiram 58% do orçamento total em junho deste ano, ante uma média histórica de 35%. Entre 2023 e 2025, o número de bolsas contratadas subiu 73%, de 7.610 para 13.180, enquanto as bolsas de estágio no exterior cresceram 52%. A instituição disse que a expansão poderia ameaçar o financiamento de projetos de pesquisa de longo prazo e que os estágios internacionais devem priorizar pesquisadores em fases mais avançadas da formação acadêmica.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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