A ordem que permitiu a volta de jornalistas da CNN, da MS NOW e do Politico à Casa Branca não encerra o conflito sobre o acesso da imprensa ao governo norte-americano. O juiz federal Timothy Kelly determinou a restauração temporária das credenciais dos veículos, enquanto analisa se elas deverão ser mantidas durante o restante do processo.
A restrição havia sido anunciada por Donald Trump em 18 de setembro. No dia seguinte, jornalistas das três empresas foram impedidos de entrar no prédio. Os veículos recorreram à Justiça e obtiveram, na quinta-feira, 24, autorização temporária para retomar a cobertura presencial.
A decisão tem validade de 14 dias. O primeiro prazo do processo termina na segunda-feira, 28, quando CNN, MS NOW e Politico deverão apresentar um pedido para obter uma medida judicial mais duradoura. O governo Trump poderá responder até sexta-feira, 2 de outubro, e os veículos terão até segunda-feira, 5, para apresentar uma manifestação final.
A ordem atual expira em 8 de outubro. Até essa data, Kelly deverá avaliar se concede uma liminar que mantenha as credenciais enquanto a ação continua. Nomeado por Trump durante seu primeiro mandato, o magistrado afirmou que pretende analisar o caso rapidamente.
Trump justificou inicialmente o bloqueio com críticas à cobertura dos três veículos, que classificou como negativa e imprecisa. Depois, o governo passou a sustentar que a presença dos jornalistas poderia oferecer riscos à segurança nacional. Ao determinar a retomada do acesso, Kelly avaliou que as informações apresentadas até aquele momento não eram suficientes para sustentar esse argumento.
O juiz também considerou que as reportagens usadas pelo governo para defender a medida eram matérias jornalísticas rotineiras. Entre os exemplos estavam textos sobre o projeto do salão de festas da Ala Leste da Casa Branca e sobre a guerra no Irã. Na avaliação registrada na decisão, esses trabalhos não indicavam uma situação que justificasse a retirada das credenciais.
O Departamento de Justiça pretende ainda contestar um precedente de quase 50 anos sobre o acesso da imprensa à Casa Branca. Em documentos entregues à Justiça, o governo defendeu a revogação de uma decisão de 1977, que exige devido processo antes da retirada das credenciais de jornalistas.
O caso pode chegar à Corte de Apelações do Circuito de Washington e, em seguida, à Suprema Corte, se houver recursos. Trump já indicou que pretende recorrer de decisões desfavoráveis ao governo. A ordem atual também não define o acesso dos jornalistas a todas as atividades presidenciais nem resolve a situação do White House press pool, grupo de veículos que se reveza na cobertura de eventos do presidente.


