A defesa de Cilia Flores pediu à Justiça dos Estados Unidos que ela cumpra prisão domiciliar enquanto aguarda julgamento ao lado de Nicolás Maduro. Os advogados afirmam que a ex-primeira-dama venezuelana tem um problema cardíaco e não recebe, desde a prisão, a medicação mensal necessária para controlar a doença.
Flores e Maduro estão detidos em uma prisão federal no Brooklyn desde 3 de janeiro de 2026. Naquela data, foram capturados em Caracas por forças norte-americanas e levados a Nova York. O casal se declarou inocente das acusações e também solicitou, em uma ação separada, o arquivamento do processo. A defesa argumenta que os dois têm imunidade por ocuparem, respectivamente, os cargos de presidente e primeira-dama de um país estrangeiro.
Flores é acusada de conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos, posse e uso de metralhadoras e artefatos destrutivos relacionados ao tráfico e conspiração para possuir esse armamento. Maduro responde pelas mesmas três acusações e por uma quarta, de conspiração para narcoterrorismo.
Alegação médica e condições propostas
Os advogados Mark Donnelly e Andres Sanchez disseram que Flores convive há anos com um prolapso da válvula mitral. Desde que foi presa, segundo a defesa, ela não recebeu a injeção mensal indicada para o controle da doença. No lugar, recebeu aspirina infantil, uma estatina, diltiazem e nitroglicerina, conforme necessário, para dores no peito.
Médicos recomendaram um cateterismo cardíaco, que pode resultar em outros procedimentos. Flores, conforme o pedido, “precisará de tempo suficiente para se recuperar de quaisquer procedimentos em um ambiente propício à sua recuperação”.
A proposta prevê vigilância armada 24 horas por dia, visitas autorizadas pelo tribunal e pelos procuradores federais, monitoramento por vídeo da residência e gravação das ligações. Os procuradores ainda não responderam ao pedido.
A casa indicada fica no distrito do tribunal federal de Manhattan, onde Flores e Maduro devem ser julgados em junho do ano que vem.


