PARIS — O papa Leão XIV foi recebido por multidões em Paris nesta sexta-feira (25), durante uma visita em que alertou para os riscos de a inteligência artificial afastar a humanidade de seus próprios valores. Em discurso no Palácio do Eliseu, ele defendeu a formação de pessoas capazes de avaliar eticamente o avanço tecnológico e afirmou que a tecnologia deve estar a serviço da dignidade humana.
O pontífice percorreu as ruas em um papamóvel até a Catedral de Notre-Dame, sob acenos de fiéis com bandeiras amarelas e brancas do Vaticano. No Boulevard Saint-Michel, diante do Jardim de Luxemburgo, cumprimentou por um longo período a comunidade peruana. Leão XIV é americano e também tem cidadania peruana.
A peruana Aida Huamán, de 56 anos, afirmou que o papa leu o cartaz que ela carregava. Issen Mote, fotógrafa peruana de 46 anos que vive na França, também relatou ter se emocionado quando o pontífice olhou para o grupo.
Tecnologia e defesa da vida
Recebido com honras militares pelo presidente Emmanuel Macron e sua esposa, Brigitte, Leão XIV pediu a criação de “mentes capazes de discernimento ético, aptas a distinguir o que é moralmente bom”. Em maio, ele havia dedicado sua primeira encíclica, “Magnifica Humanitas”, à inteligência artificial e defendido que a tecnologia fosse desarmada para impedir que dominasse a humanidade.
Macron, por sua vez, defendeu uma organização internacional que impeça que os modelos mais avançados de inteligência artificial fiquem sob controle de poucas pessoas.
No mesmo discurso, o papa criticou a manipulação genética, a barriga solidária, a compra de órgãos e a oferta de morte programada. A França foi o primeiro país a incluir a liberdade garantida ao aborto em sua Constituição e aprovou, em julho, o direito à eutanásia e ao suicídio assistido em certos casos. Para Leão XIV, “a proteção do direito à vida constitui o fundamento indispensável de todos os outros direitos humanos”.
Agenda da visita
A primeira visita papal oficial à França em 18 anos deve reunir um milhão de pessoas em Paris. Uma grande tenda foi montada para a missa de sábado na Champs-Élysées, enquanto a programação desta sexta-feira termina com uma vigília para jovens no Stade de France. São esperados 80 mil participantes, entre 17 e 35 anos, além de apresentações de música pop e conversas com o pontífice.
A viagem passa por Paris, Lourdes e Metz e mobiliza 15 mil policiais e gendarmes. O custo previsto é de 27 milhões de euros, aproximadamente 159 milhões de reais.
Em Lourdes, no sábado e no domingo, Leão XIV se reunirá com vítimas de abuso sexual dentro da Igreja. A visita terminará em Metz, com um discurso sobre a paz e a União Europeia. O papa também tratará de temas como o acolhimento de migrantes e a paz na Europa.
A viagem ocorre sete meses antes de uma eleição presidencial francesa descrita como muito aberta, enquanto a extrema direita lidera as pesquisas. O pontífice ainda destacou a “sede espiritual” diante do ressurgimento da espiritualidade católica no país, que enfrenta declínio na prática religiosa e aumento nos batismos de jovens nos últimos cinco anos.


