A OpenAI lançou o GPT-6 Astra nessa quinta-feira (3), apresentando-o como uma nova geração de inteligência artificial voltada a tarefas que vão além de responder perguntas em uma conversa. A empresa afirma que o modelo é capaz de interpretar instruções, analisar informações, tomar decisões dentro de uma atividade e executar etapas para chegar a um resultado.
O Astra é apresentado como sucessor do GPT 5.6 Sol e reúne melhorias em raciocínio, programação, pesquisa, ciência, cibersegurança e uso de computadores. Segundo Greg Brockman, presidente da OpenAI, o GPT-6 inicia uma nova fase no desenvolvimento da inteligência artificial, associada por ele à chegada da inteligência artificial geral, conhecida pela sigla AGI.
O conceito de AGI não tem uma definição aceita por toda a indústria. Em geral, é relacionado a sistemas capazes de superar o desempenho humano em diferentes tipos de tarefa. A OpenAI já recebeu críticas pelo uso considerado exagerado do termo.
O que o modelo pode fazer
Uma das principais novidades está na capacidade de operar computadores e navegadores. O GPT-6 Astra também pode produzir documentos, planilhas, apresentações e análises. No ChatGPT, a OpenAI diz que ele consegue criar, hospedar e compartilhar sites, aplicativos web e jogos a partir de uma solicitação.
Entre os exemplos citados pela empresa estão preparação de impostos, desenvolvimento de jogos, renderização arquitetônica, formatação de memorandos jurídicos e busca de apartamentos. O modelo também foi desenvolvido para tarefas de engenharia de software e pesquisas que exigem várias etapas.
Em avaliações divulgadas pela OpenAI, o Astra obteve 98% no FrontierMath Tier 4 e 99,9% no ARC-AGI-3. Os resultados correspondem a testes específicos e não representam o nível de precisão do sistema em qualquer atividade do mundo real.
O modelo também pode completar instruções incompletas usando o contexto, fazer perguntas quando faltar uma informação importante e preservar o objetivo inicial mesmo após receber novas instruções durante a execução de uma tarefa.
Segurança e disponibilidade
A OpenAI adiou o lançamento depois de informar que o sistema havia atingido o nível “Critical” de capacidade em cibersegurança dentro de seu sistema de preparação. Com as ferramentas e os acessos necessários, a empresa afirma que o Astra pode encontrar vulnerabilidades desconhecidas e criar formas de explorá-las.
A mesma capacidade pode ajudar profissionais de segurança a localizar e corrigir falhas, mas também eleva o risco de uso indevido. A OpenAI diz ter reforçado a proteção e o monitoramento do modelo. Mia Glaese, responsável pelos processos de segurança da empresa, afirmou que foi criado um método de acompanhamento com “observação 24 horas por dia, 7 dias por semana, e resposta rápida”. Possíveis problemas, segundo ela, podem chegar aos pesquisadores em até 30 minutos.
A companhia informou que oferecerá o Astra a parceiros com menos restrições para estudos sobre suas capacidades. Para os demais usuários, o modelo estará disponível nos planos ChatGPT Plus, Pro, Business e Enterprise, além da API da OpenAI e da AWS.
Antes do lançamento, a adoção da chamada “profundidade recorrente” como elemento central do modelo chamou a atenção de especialistas, entre eles Zvi Mowshowitz. Ele defende regras para impedir uma “corrida ao fundo do poço” no desenvolvimento de técnicas cada vez mais poderosas.


