SÃO PAULO — O ouro encerrou a sessão desta quinta-feira, 24, abaixo de US$ 4.300 por onça-troy, pressionado pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela valorização do dólar. O movimento ocorreu em um cenário de avanço nos preços do petróleo e de expectativa de uma política monetária mais rígida do Federal Reserve (Fed) para conter a inflação.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o contrato do ouro para dezembro caiu 0,47%, para US$ 4.298,0 por onça-troy. A prata para dezembro recuou 1,48%, a US$ 64,00 por onça-troy.
Sinais do Federal Reserve
A possibilidade de novas altas de juros ganhou força após declarações de integrantes do banco central americano. Anna Paulson, presidente do Fed da Filadélfia, afirmou que a instituição pode precisar elevar novamente os juros porque a inflação continua “persistentemente elevada”. Ela disse que, entre os objetivos do Fed, a estabilidade de preços exige mais atenção neste momento, enquanto o mercado de trabalho permanece estável.
Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, também avaliou que a inflação nos Estados Unidos continua elevada. Para ela, a forte demanda por bens sustenta os preços, e os riscos seguem concentrados em uma direção de alta.
A analista sênior da Swissquote, Ipek Ozkardeskaya, afirmou que o fortalecimento do dólar e o aumento dos rendimentos dos títulos americanos elevam o custo de oportunidade de manter ouro, um ativo que não paga juros. Ela acrescentou que o metal pode receber apoio no médio e no longo prazo pelo interesse de investidores institucionais.
O comportamento recente do ouro, segundo a analista, indica que o metal se tornou menos sensível às oscilações dos rendimentos dos Treasuries de 10 anos. Mesmo com a alta dos rendimentos americanos e a passagem dos rendimentos reais para terreno positivo, o ouro avançou em períodos mais longos, sinal de que parte dos investidores deixou de considerar decisivo o custo de não manter títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

