Um relatório do Instituto Internacional para Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA) aponta que os principais indicadores democráticos dos Estados Unidos atingiram seu pior nível em 50 anos. O documento, publicado nesta terça-feira (15), afirma que o afastamento de Washington da ordem internacional reduziu a confiança no multilateralismo e estimulou líderes autoritários e populistas.
A análise considera quatro dimensões: independência judicial, eleições confiáveis, liberdade de imprensa e de expressão e acesso à justiça. Entre 2020 e 2025, quase 57% dos países avaliados tiveram piora em pelo menos um desses indicadores. Com sede em Estocolmo, o IDEA acompanha a situação das democracias em diferentes países.
Efeitos atribuídos aos Estados Unidos
Kevin Casas-Zamora, diretor do IDEA, atribuiu ao presidente Donald Trump papel central no enfraquecimento democrático e afirmou que os acontecimentos de 2020 nos Estados Unidos tiveram repercussão internacional. Para ele, a contestação da vitória de Joe Biden ajudou a dar legitimidade a ataques contra a credibilidade dos processos eleitorais.
“O paciente zero desta epidemia mundial é o atual presidente dos Estados Unidos”, disse Casas-Zamora. Ele também relacionou a aceleração desse processo ao ataque ao Capitólio cometido por partidários de Trump em 6 de janeiro de 2021.
O diretor citou ainda os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Na ocasião, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram os prédios que abrigam os poderes públicos para pedir uma intervenção militar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma semana depois da posse.
A Sérvia também foi mencionada no relatório. Segundo Casas-Zamora, argumentos usados para desmontar a ajuda americana foram aproveitados pelo governo sérvio para reprimir organizações da sociedade civil.



